 |
|
 |
| História - Século XX |
 |
 |
|
SÉCULO XX
|
 |
|
A Grande Depressão de 1929 (Parte I)
Nenhuma outra crise econômica na história dos Estados Unidos produziu efeitos tão terríveis sobre a sociedade como aquela decorrente da quebra da bolsa de valores de Nova York, ocorrida em outubro de 1929. Do dia para noite pareceu aos cidadãos norte-americanos que eles haviam perdido tudo. Suas reservas de anos, seus depósitos bancários e o valor da suas ações simplesmente desabaram. Diluíram-se como se fossem pó jogado n'água.Os pilares supremos que a América fora constituída ficaram profundamente ameaçados por uma crise seguida de depressão econômica que parecia não ter mais fim.
|
|
|
|
O grande Crash de 1929
|
A América do Norte foi o país que mais rapidamente expandiu sua economia na história dos tempos modernos. Para tanto, tinha condições gerais quase que paradisíacas se compararmos com as existentes na Europa. Não foi necessário às novas forças produtivas em expansão pelo novo continente que lutassem contra uma estrutura feudal obsoleta, dominada por uma nobreza fundiária e uma igreja ultraconservadora, nem assumir os custos que uma revolução social cobra. Juntamente com a Grã-Bretanha, foram exemplos do sucesso do capitalismo laissez-faire, um dos poucos países a se desenvolver sem a interferência estatal ostensiva. Portanto, a crise que devastou a bolsa de valores de Nova York, a partir de outubro de 1929, teve conseqüências extraordinárias para a maneira de viver dos americanos e para a concepção de autonomia e independência que eles até então tinham.
Nem feudalismo, nem nobreza
Não encontramos em sua história nada semelhante à "revolução impulsionada de cima" de Bismarck, ou a "Era Meiji" japonesa, onde o Estado praticamente tutelou o crescimento industrial da nação.
Enquanto a unidade alemã foi forjada à custa de vizinhos relativamente poderosos (Dinamarca, Áustria e França), os Estados Unidos enfrentavam índios, o que nos enseja a dizer que sua expansão para o Oeste quase não teve obstáculos. Ao contrário do Brasil, a fronteira política americana deslocou-se simultaneamente com a expansão da sua fronteira econômica, evitando a formação de um aparato burocrático oneroso e a imobilização de forças armadas custosas. As suas condições sociais eram as das melhores.
A inexistência de senhores feudais evitava êxodos rurais de arrendatários, a exemplo do que ocorreu na Inglaterra durante séculos. Não se verificou na sociedade americana a proliferação de artesãos sem trabalho, arruinados pela concorrência de novas indústrias, nem a presença de uma Igreja todo-poderosa com uma mentalidade antiliberal e anti-capitalista como ocorrera na França.
Mão-de-obra obra e tecnologia
A expansão econômica dos americanos foi tão formidável que absorvia não só a mão-de-obra interna, como também a incessante massa de imigrantes vinda de todos os lugares da Europa. Ainda assim, ocorreram crises crônicas de falta de força de trabalho, o que provocava a alta dos salários. Fator que contribuiu por levar os capitalistas norte-americanos a adotarem e incentivarem o uso cada vez maior da maquinaria, com o intento de mantê-los baixos, proporcionando assim uma impressionante expansão dos setores de bens de produção.
Criou-se, desse modo, entre eles, uma mentalidade aberta a qualquer inovação, contribuindo para a formação de uma tecnologia nacional, largamente independente do capital estrangeiro.
O crescimento populacional dos Estados Unidos não teve paralelo: na metade do século passado existiam vinte e três milhões de habitantes; oitenta anos depois, às vésperas da crise, a população americana atingia a cento e vinte e dois milhões, o que representa um aumento demográfico de 125 vezes e meio em menos de um século. Por ser uma economia cuja peculiaridade, pelo menos desde o fim da Guerra da Secessão, em 1865, era o desenvolvimento do mercado interno, produzindo suas próprias matérias-primas, não foi necessário recorrer ao exterior. Isto fez com que os Estados Unidos não precisasse assumir a manutenção de um império colonial de vastas dimensões nos moldes do britânico ou do francês, com todos os custos administrativos-políticos-militares que sua gerência implicaria.
|
|
 |
 |
Veja todos os artigos | Voltar |
|
 |
|
|