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História - Século XX

A Agência Central de Inteligência e a Cultura (Parte II)

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A Agência Central de Inteligência e a Cultura
 
Expressionismo Abstrato contra o Realismo Socialista

Um dos aspectos mais singulares da guerra fria cultural foi a simpatia demonstrada pela CIA, em total consonância com os grandes milionários norte-americanos, ao Expressionismo Abstrato, movimento pictórico nascido nos Estados Unidos nos anos de 1940 e 1950 e que teve em Jackson Pollock sua maior personificação artística. Apesar da indiferença ou até mesmo da repulsa do público médio para com aquele tipo de arte, foi vigorosamente amparada pelos meios de comunicação e pelos críticos culturais orientados à exaltar a "liberdade criativa" da pintura norte-americana.

David Rockefeller viu nas telas de Pollack a manifestação mais autêntica da livre iniciativa aplicada às artes. Como conseqúência, várias exposições de integrantes daquela linha estética foram organizadas pela CIA em diversas capitais da Europa Ocidental para demonstrar o empenho da América do Norte em favor da arte moderna. Eram a prova da natureza aberta e sem censura da sociedade democrática lá vigente. O intento era opor a arte "livre" feita pelos vanguardistas norte-americanos ao "realismo socialista" , linha oficial do regime stalinista aplicada às artes. (*)


(*) o detalhe curioso dessa política de apoiar a pintura modernista confrontando-a com o Realismo Socialista é que a direita norte-americana tinha a mesma opinião dos críticos stalinistas sobre a arte moderna em geral. Ambos a abominavam. Assim a CIA tratou de esconde sua política tanto dos comunistas simpatizantes da URSS como dos direitistas internos.

O fim da ligação da CIA com os intelectuais

J.Pollock, em plena" livre iniciativa criativa".

Somente durante o crescente clima de oposição criado pela intervenção norte-americana no Vietnã é que possibilitou o vazamento da relação que a CIA mantinha com o mundo das artes e letras. Em 1967 a revista Rampars lançou uma série de artigos que comprometeram as operações culturais secretas, denunciando o envolvimento da Agência com o famoso Congresso pela Liberdade Cultural de Berlim dirigido por Michael Josselson (a versão anticomunista de Willi Munzenberger), e que depois passou a ser uma instituição permanente, patrocinando outros daqueles eventos pela Europa Ocidental.

Por igual, foram apontadas suas estreitas relações com a revista britânica Encounter e suas congêneres em outros países sustentadas por verbas norte-americanas. Evidentemente que, ao estourar o escândalo, muitos intelectuais, no sentido de se preservarem, negaram saber que seus artigos, suas palestras, as viagens que faziam e as conferencias que ministravam, eram pagos pelo serviço secreto dos Estados Unidos.

Alguns deles manifestaram publicamente sua indignação, particularmente contra Michael Josselson ( que terminou desempregado e um tanto abandonado pelo circulo de homens e mulheres de letras a quem dera apoio). Para a maioria, todavia, deve ter pesado o velho principio de que os fins justificam os meios. Aceitar dinheiro para combater o comunismo, ainda que isso lhes pudesse manchar a reputação, não lhes devia parecer em nada "ao drama de Fausto, obrigado a vender a alma para Satanás."

Exorbitando das funções

Thomas W.Braden "ainda bem que a CIA foi imoral!"

Numa longa entrevista concedida ao jornalista inglês Tim Weiner, Thomas W. Braden , chefe da Divisão de Organizações Internacionais da CIA, responsável pelas diversas "fachadas" dela, lamentou que a instituição de Langley, na Virginia, tenha se transformado num empreendimento gigante.

Ao ingressar na Companhia, no começo dos anos de 1950, imaginou-a algo assim como o MI-6 , o serviço secreto dos britânicos, repleto de sofisticados espiões de cachimbo analisando seletivamente as informações e orientando com discrição a política externa do império.

Com o tempo, ela virou num polvo, tendo aviões, empresas fantasmas, mandando assassinar políticos "hostis", planejando golpes, e assim por diante. Esta teria sido uma das razões que o levou a desligar-se daquelas atividades. Ao crescer demais a CIA passou a cometer erros cada vez maiores.

O fracasso da Guerra do Vietnã (1965-1975) foi um baque terrível que até hoje ela não superou, situação que se tornou ainda mais crítica devido ela não ter previsto o possível ataque de Onze de Setembro como também ter assegurado ao governo de George W. Bush que o regime de Saddam Hussein possuía arsenais de armas de destruição em massa. O legado disso tudo foram "as cinzas".

Bibliografia


Aronson , Ronald - Camus e Sartre: o fim de uma amizade. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2007.

Ehrlichman, John. The Company. A Novel. Nova York: Simon and Schuster,1976.

Ranelagh, John - The Agency: The Rise and Decline of the CIA, Nova York: Touchstone Books, 1987.

Sauders, Francês Stonor - Quem pagou a conta? A CIA na Guerra Fria da Cultura. Rio de Janeiro/São Paulo. Editora Record, 2008.

Weiner, Tim - Legacy of Ashes: The History of the CIA . Nova York: Doubleday, 2007.

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