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A Agência Central de Inteligência e a Cultura (Parte I)
Proporcionar apoio aos Congressos pela Liberdade Cultural, uma frente de enfrentamento ideológico contra os comunistas, foi uma das metas da CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos na época da Guerra Fria, dirigida então por Allen Dulles.
A Internacional Anticomunista
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Allen W. Dulles ( 1893- 1969)
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A cada congresso pela paz, como foi o caso do Congresso do Waldorf realizado em Nova York em 1949, estimulado pelo Comintern ( a Internacional Comunista controlada por Moscou), a CIA responderia com um outro. Este sempre teria como denominação ser "da liberdade", tal como o que patrocinaram em Berlim em 1950. Para isto, o serviço de informações procurou estabelecer um pacto com muitos escritores e artistas ocidentais famosos para que fizessem parte no esforço em favor do "mundo livre". Era preciso criar uma Internacional Anticomunista para dar combate aos " vermelhos".
Naqueles encontros que se estenderam por alguns anos enfatizava-se sempre que os Estados Unidos eram os únicos guardiães da liberdade de expressão e exclusivos apoiadores da aventura estética, frente ao dirigismo estatal e à censura stalinista vigente na União Soviética. Durante 17 anos a operação de sustentação da cultura foi uma das mais estimadas pela alta hierarquia do serviço secreto estadunidense, em parte porque eles mesmo, os super-espiões que eram selecionados nas academias dos Estados Unidos, se viam como cidadãos sofisticados e lhes agradava atuarem como mecenas em nome da boa causa.
Formou-se então a Internacional Anticomunista composta por intelectuais que contou com apoio do filósofo alemão Karl Jaspers, do socialista Léon Blum, de escritores como André Gide e François Mauriac, de acadêmicos como Raymond Aron e Michel Crozier, e de intelectuais estado-unidenses como James Burnham e Sidney Hook, ex-esquerdistas de inclinação trotsquista, integrantes do grupo dos New Iork Intellectuals. A CIA não se opunha a que muitos deles defendessem uma "Terceira Via" que entendiam mais como uma alternativa ideológica ao comunismo do que um repúdio ao capitalismo.
Um dos maiores proveitos dessa estratégia foi aproximar-se da esquerda não-comunista no sentido de acelerar uma divisão entre os simpatizantes ou "companheiros-de-viagem" que se alinhavam no bloco das esquerdas para obter deles um sinal mais favorável à política externa norte-americana. Por isto a presença de Arthur Koestler no ambiente do existencialismo parisiense, a partir de 1946, mostrou-se proveitosa visto que provocou o rompimento afetivo e ideológico entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre (de longe o intelectual ocidental mais visado pela CIA devido sua inclinação pelos soviéticos), que na época eram os mais autênticos representantes da esquerda independente. De algum modo, a ação de Koestler fez com que se desencadeasse uma arrastada polêmica entre os dois ex-amigos, o que trouxe muita confusão para o meio da esquerda francesa dos anos 50. A política da CIA, pautada por Allen W. Dulles (diretor da Agência) e John Foster Dulles( secretário de estado do governo Eisenhower), era denunciar o neutralismo como "imoral" em vista do fato inconteste para eles de que se travava no mundo inteiro uma batalha que opunha o bem (os EUA) ao mal (a URSS). Era preciso, pois, seduzir os esquerdistas periclitantes e atraí-los para a causa certa, enredando-os em congressos, abrindo-lhes as páginas das revistas e dos jornais para que pudessem se expressar, remunerando-os por suas contribuições.
Fundações americanas como biombos
Quanto ao montante dos recursos envolvidos nas operações de promoção cultural patrocinadas pela CIA provavelmente jamais serão levantados nos próximo anos visto que os arquivos secretos continuam longe dos pesquisadores. Todavia, a historiadora inglesa recorreu aos documentos de algumas fundações importantes, como a Carnegie, a Rockefeller, a Ford e a Farfild, que serviam como biombos por detrás dos quais as verbas da CIA eram "repassadas" aos selecionados: aos escritores, artistas, intelectuais, maestros.
Cumpria-se assim umatriangulação perfeita composta por elas, pelo serviço secreto e pelos recebedores dos fundos, sem que ninguém pudesse verificar a origem precisa do dinheiro.(*) Também foi exposta no livro "Quem paga a conta?" a íntima relação entre as famílias bilionárias norte-americanas, tais como os Rockefeller e os Ford, com o serviço de espionagem.
Diversos funcionários daquelas fundações vieram da CIA e muitos deles atuavam simultaneamente como dirigentes delas e informantes da Agência, como foi o caso de Stephard Stone, diretor da Divisão de Assuntos Internacionais da Fundação Ford.
Havia, por assim dizer, uma porta giratória entre as fundações e a CIA, um entra-e-sai constante de diretores num sentido ou no outro, fazendo com que ela se transformasse, como observou com agudez George Kennan, no verdadeiro Ministério da Cultura dos Estados Unidos, financiando todo o tipo de manifestação: de encontro de intelectuais à turnês de orquestras sinfônicas, de edição de revistas à exposição de artes.
(*) Além dessas instituições mais afamadas, a CIA recorreu a um punhado de outras entidades usadas como fachadas, tais como a Fundação Gotham, o Fundo Michigan, o Fundo Price, o Fundo Edsel, o Fundo Andrew Hamilton, a Borden Trust, o Fundo Beacon e o Fundo Kenfield ( ver Francês S. Sauders, pág. 381)
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