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Zdanov e a Teoria dos Dois Campos (parte II)
Em 1947 Andrei Zdanov, ideólogo do stalinismo, concebeu a fórmula conhecida como a Teoria dos Dois Campos que serviu como cobertura ideológica para que o Partido Comunista da URSS acelerasse a satelitização do Leste europeu. Era a unívoca resposta soviética ao Discurso de Fulton de W.Churchill, ao Plano Marshall e à Doutrina Truman que, juntos, lançaram as bases da política anglo-americana da "contenção" ao comunismo que deu início à Guerra Fria.
Então Stalin bateu na mesa. Enganavam-se os que profetizavam algum tipo de convívio pacífico com as nações capitalistas. Elas de fato queriam a destruição da URSS e somente estariam à espera das condições ideais para moverem-se contra o socialismo soviético. Era uma questão de tempo. Por conseguinte todo aquele que pregasse uma aproximação com os Estados Unidos ou defendesse uma posição não - conflitante ou conciliadora com o Ocidente capitalista merecia a suspeita do regime soviético. O que era preciso era retomar a concentração absoluta do poder.Somente assim, com Stalin retendo o controle total da alavanca do estado e impondo a "disciplina do açoite", seria possível repor o que fora devastado. Um novo tipo de guerra se prefigurava no horizonte, na qual seriam as idéias tanto quanto as possíveis poderosas bombas quem fariam o maior estrago. Para tanto era preciso reativar a “síndrome da fortaleza sitiada”, que implicava numa decisão de tolerância zero com que lhe fizesse oposição ou refugasse em obedecê-lo. O mesmo se aplicando aos partidos comunistas não-soviéticos que se espalhavam então pelo mundo. Qualquer dissidência seria punida com a expulsão. Na URSS com a prisão ou o fuzilamento. Até os artistas soviéticos mais famosos foram reciclados pela Zhdanovshchina, a política cultural de Zdanov, quando por ocasião de um congresso realizado em Moscou , em abril de 1948, o comissário passou uma exemplar reprimenda nos maiores compositores do país, como Sergei Prokofiev, Aram Khachaturian e Dmitri Shostakovitch (até então o mais celebrado músico do regime, autor da Sinfonia da Vitória, em 1945), este acusado violentamente de "formalismo" e de ser "antinacional"( seja lá o que isso possa significar), e totalmente inábil em refletir o sentimento do povo soviético.
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D.Shostakovich, caiu em desgraça
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Outra das suas vítimas, que então estava bem longe de ser célebre - ao contrario do satirista Zoshchenko e da poetisa Ana Akmátova - , foi o escritor Alexander Soljenitsin, preso em 1945 e enviado por muitos anos a um campo correcional por ter feito um referencia crítica a Stalin numa correspondência pessoal que infelizmente foi lida por um agente da censura. Era pois este o pano de fundo político em que brotou a Teoria dos Dois Campos e que perdurou, ainda que mitigada a partir de 1952, pelo menos até o XX Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado em 1956, quando Nikita Krushev denunciou Stalin e o "culto da personalidade" e deu início a chamada "coexistência pacífica".
Boterbloem, Kees – Life and Times of Andrei Zhdanov. 1896-1948. Montreal: McGill-Queen's University Press , 2004. Deutscher, Isaac – Stalin, a historia de uma tirania. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 2v. 1970. Groys, Boris - The Total Art of Stalinism: Avant-Garde, Aesthetic Dictatorship, and Beyond. Princeton: Princeton University Press, 1992. Krushev, Nikita – Memórias: el ultimo testamento. Barcelona: Euros, 1975. Montefiore, S.Sebag – Stalin: a corte do czar vermelho.São Paulo: Cia das Letras, 2006. Ulam, Adam - Stalin: the man and is era: Nova York: Beacon Press, 1987. Zhdanov, Andrei -, "Speech of the Congress of Soviet Writers." Art in Theory. 1900-1990. Eds. Charles Harrison and Paul Wood. Oxford: Blackwell, 1992
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