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A armadilha
Em sintonia com o plano, plantaram em Moscou um ex-contra-revolucionário letão de nome Opperput que, em troca da vida, assumiu o papel de colaborador da OGPU. A missão dele era fazer crer aos agentes estrangeiros da existência de um bem sortido grupo de resistência anti-bolchevique, formado por monarquistas em aliança com socialistas-revolucionários: a União Monarquista da Rússia Central, agindo bem perto do Kremlin. Era um gancho atirado na corrente da contra-revolução para capturar o que pudesse. O projeto deu tão certo que conseguiram atrair de volta à Rússia dois peixes gordos do M.I.6: o primeiro foi Boris Savinkov e, em seguida, Sidney Reilly.
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O raio da GPU abate os reacionários (pôster soviético)
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Savinkov, saindo da Polônia, atravessou a fronteira em 24 de agosto de 1924 tão confiante que levou junto sua amante Liubova Dikgof-Derental e o marido dela, apenas para serem presos em Minsk. Em doze dias condenaram-no à morte por atividades contra-revolucionárias. Como último cartucho, ele ainda tentou oferecer-se a Menzhinski como consultor da OGPU e agente duplo, mas não era possível manter-se alguém como ele muito tempo numa prisão. Vendo-se perdido, ele teria saltado do 5º andar da prisão Lubianca, em Moscou, no dia 7 de maio de 1925, pondo assim um fim dramático à vida. Suicidou-se aquele a quem Churchill chegou a considerar entre um dos seus Grandes Contemporâneos (W. Churchill – Great Contemporaries. Londres: Thorton Butterworth, 1937).Consta que ele deixara uns versos que diziam: "A guilhotina é uma faca/Tanto melhor/Logo agarrarei o cálice/Assim me conduzirei à morte". Reilly, por sua vez, espião famosíssimo, que fora encarregado pelo M.I.6 de assassinar Lenin, em 1918, veio da Finlândia para cair na mesma rede. Parece ter sido executado com um tiro no pescoço num parque em Moscou por ordem direta de Stalin, em novembro de 1925.
Ponde, Elizabeth – From Yaroslavsky Station: Rússia Perceived. Londres: Universe Books, 1984.Rayfield, Donald – Stalin and his hangemen. Londres: Random House, 2004. Rolland, Jacques Francis – L'homme qui défia Lénine: Boris Savinkov. Paris: Grasset, 1989. Savinkov, Boris – Le Cheval blême: souvenirs d'un terroriste. Paris: Phébus Éditeur, 2003.
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