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História - Século XX
SÉCULO XX

Hiroshima sob a chuva negra

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» A explosão atômica
 
Aos moradores de Hiroshima e das suas redondezas não bastou terem sofrido o maior ataque atômica da história da humanidade, consumado em 6 de agosto de 1945. Os que sobreviveram à catástrofe foram vistos depois como uns amaldiçoados, almas penadas de quem todos queriam distância. Muitos dos que inicialmente escaparam com vida, sofreram de doenças cancerígenas que os levaram a uma morte longa e dolorosa, enquanto que outros, particularmente as mulheres mais jovens, foram colocadas na situação de párias, de intocáveis, porque suspeitavam que elas não pudessem mais gerar filhos saudáveis. Nunca os americanos, autores do bombardeio atômico, transcorrido decênios do ocorrido, manifestaram pesar pelo estrago ou arrependimento público pela matança que premeditadamente provocaram.

Salvando a sobrinha

Hiroxima, o horizonte turvo
Corriam boatos sobre a saúde da jovem Yasuko, conta o escritor japonês Masuji Ibuse no seu livro "A Chuva Negra". A garota, diziam, certamente fora atingida pela doença da radiação. Estava contaminada e se tivesse filhos seria uma desgraça. Assim, um por um, os pretendentes dela foram sumindo. Uma casamenteira que andara pela aldeia de Kobatake e que se interessara por ela, não demorou também em desistir. Contavam por lá que ela estivera em Hiroshima no dia que a bomba explodira - no 6 de agosto de 1945 - e que o seu sangue estragara.

Shigematsu Shizuma, o tio da garota, que a tomara para criar, indignou-se. Tinha certeza de que ela não estivera exposta à explosão. Ele sim vira tudo, mas não sua sobrinha.
Tentou livrá-la da suspeita arranjando um atestado médico. Foi pior. Ai mesmo que a desconfiança aumentou. Decidiu então copiar o diário da sobrinha que, seguindo o exemplo dele mesmo, resolvera registrar os últimos momentos daquela guerra terrível travada contra os americanos. Queria mostrar a todos que Yasuko estivera sim em Hiroxima, mas apenas no dia seguinte, fazendo parte do Corpo Patriótico de Voluntários que fora mobilizado pelas prefeituras vizinhas à cidade destruída para socorrer aquela pobre gente atingida pela bomba mortífera, pela "nova arma" como diziam. Nem sequer fora respindaga pela Kuroi Ame, a chuva negra, a descarga de partículas radioativas que, misturada as nuvens, se desprenderam do céu depois da explosão nuclear.

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