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História - Século XX
SÉCULO XX

Bomba Atômica sobre o Japão

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A Bomba Atômica, lançada sobre a cidade de Hiroshima em 6 de agosto de 1945, desencadeou nos anos seguintes da Guerra Fria, um verdadeiro festival de explosões, americanas e russas, que poluíram com a radiação quase todo os espaços da terra. Saiba os antecedentes do lançamento da Bomba de Hiroshima e como a bomba foi construída e quem tomou a decisão por jogá-la sobre o Japão.

O significado do Sol para os japoneses

Hiroshima, uma paisagem lunar depois da bomba atômica
O Sol é, na maioria das culturas, universalmente reverenciado como a fonte da vida. É a grande estrela que nos traz a luz do dia e nos permite vislumbrar, pegar ou apalpar, as coisas que antes, na escuridão, apenas pressentíamos. Por isso, os gregos o identificaram com Apolo, seu deus favorito, e Platão, o maior dos seus filósofos, tinha-o como o mais magnífico símbolo da razão.

O Sol, porém, além de ser esclarecedor, também pode ser perverso, pois sua claridade excessiva pode cegar e o seu calor desmedido levar todos à loucura. Se for muito insistente, devastará as colheitas, queimará as matas, secará os rios e as gargantas, levando todos a morte. Por esses seus outros atributos, não positivos como os primeiros, é que chamavam também Apolo de sinuoso.

Os japoneses, por sua vez, tinham mais do que todos uma relação especial com o Sol. Não só o Grande Astro estava no centro da sua bandeira nacional, uma bola vermelha circundada por um pano branco, como a própria designação do país originava-se da palavra ol: Jin-pun, em chinês, deu origem Ni-pon, "o país da origem do sol". De fato, era lá, nas mais de três mil ilhas que compõem o Japão, que a humanidade contemplava por primeiro seus raios brilhantes. Delas é que, antes dos outros povos, pode-se ver o alvorecer. Imagine-se, portanto, a surpresa e a perplexidade da população de Hiroshima quando verificou que o sol, aquele mesmo sol que poucas horas antes havia nascido no malfadado dia de 6 de agosto de 1945, ao invés de seguir dali para irradiar outras terras, simplesmente desabou sobre a sua cidade.

O impacto da Bomba Atômica

Foi assim que, supõe-se, muitos habitantes interpretaram, nos segundos que antecederam as suas mortes, aquele clarão imenso, cegante, que se expandiu frente a seus olhos. Para eles, o Sol revoltara-se contra o Japão! Outros, mais à distância do hipocentro da explosão, que se deu a 580 metros acima da Ponte Aioi, ainda puderam ver como os ferros se retorciam, como as paredes se esfarelavam, e como o chão embaixo deles ardia.

Os físicos calcularam depois que, nas proximidades da explosão primeira Bomba Atômica, a temperatura oscilou entre 3 a 4 mil graus, o suficiente para fundir o ferro por duas ou três vezes. Pelas ruas daquela cidade, que, em 1945, abrigava não mais de 350 mil habitantes, cavalos e bois enlouquecidos pelas queimaduras disparavam em todas as direções.

Os humanos viam desprender-se a pele, o descarnar-se das suas mãos, enquanto seus cabelos pulverizavam-se em milésimos de segundo. De outros, os olhos simplesmente saltavam das órbitas. A nuvem que os cobriu em 30 apenas segundos avançou por 11 quilômetros, devorando, insaciável, tudo que encontrou pelo caminho, fosse humano ou material. Incinerou tudo a sua passagem. Quando finalmente fez-se silêncio, 140 mil pessoas tinham perecido pelas mais terríveis e diversas formas que se possa imaginar.

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