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História - Século XX
SÉCULO XX

Uma surpresa no Fronte Ocidental

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Ardenas
» O último ataque de Hitler
» Surpresa no Fronte Ocidental
» A situação se inverte
 
A escolha da região de Ardenas para o desencadear da contra-ofensiva devia-se, entre outras considerações, é que lá dera-se a espantosa vitória de maio de 1940, ocasião em que as divisões panzers dos generais Heinz Guderian e Erwin Rommel, saindo da floresta, esmagaram a inútil resistência francesa.

Por conseguinte, Ardenas tornara-se um mito capaz de incendiar o imaginário do soldado alemão e fazê-lo, contra todas as expectativas, alcançar a vitória. “Ardenas!” pois, tinha um efeito eletrizante, um grito de guerra, uma expectativa de sucesso arrasador. Hitler quis repetir o feito de 1940, ainda que com menos da metade das divisões que contava então.

Além disso, ao contrário do Fronte Leste, imenso, o Fronte Ocidental era concentrado, possível de ver-se o impacto de uma contra-ofensiva fulminante. De logo ter-se uma resposta.

Hitler chegou a ter expectativas, obviamente delirantes, de que a Operação Wacht am Rhein, Alerta no Reno, como a preparação para Ardenas foi designada, se bem conduzida (pondo cerco ao exército norte-americano ou colocando-o em desatinada fuga), poderia inclusive provocar um grande clamor nos Estados Unidos, com a população exigindo nas ruas a volta das tropas para casa. Ou então forçar a que Churchill e Roosevelt aceitassem entabular uma negociação de paz.

O Plano Jodl – Buttlar-Brandenfels

Marechal W..Model (1891-1945)
Atendendo aos desejos do Führer, o general Jodl e seu assistente, o general Horst Von Buttlar-Brandenfels, estabeleceram um esboço geral para os derradeiros meses da guerra (Hitler fora avisado por Albert Speer, o Ministro do Armamento, de que os recursos gerais para manter a nação ainda ativa só durariam por mais seis meses).

A Alemanha deveria concentrar-se na guerra no Oeste, para tanto era preciso evacuar as divisões da Itália e da Escandinávia concentrando-as todas no território alemão para erguer a Festung Deutschland, a Fortaleza Alemanha, regida pela Lei Marcial. O restante do pessoal da Luftwaffe (Força Aérea) e Kriegesmarine (da Marinha de Guerra), deveria ser colocado sob comando da Wehrmacht (do Exército), mobilizando-se por igual tudo o que fosse possível de ser usado, material e humano, no esforço de guerra.

Para garantir a superioridade absoluta sobre os aliados anglo-americanos foram destacadas como força de choque três exércitos blindados, com diversas divisões SS-panzers equipadas, a maioria delas, com os modernos tanques Panther - uns 600 no total - , contando com o apoio de uns 200 a 250 mil soldados sob o comando operacional do Marechal Walter Model, sob supervisão do Marechal von Rundstedt (*).

O deslocamento deles foi possível graças ao abastecimento de óleo de 4 milhões de galões, enquanto a munição, tirada da reserva especial do Führer, era secretamente transportada por 50 trens. Do outro lado, o OKW estimava que deveria haver uns 80 mil americanos e britânicos.

A intenção última de Hitler, além de mostrar ao mundo que ainda tinha condições de combate, era ganhar tempo. O tempo suficiente, aproveitando-se do inverno, para que suas armas secretas pudessem ser aprontadas: a bomba V-2, o avião a jato, e o submarino elétrico. Com as quais ele esperava inverter o destino da guerra.

(*) O marechal von Rundstedt deixou o seguinte depoimento sobre a Operação Ardenas; " Eu sempre objetei fortemente contra esta estúpida operação em Ardenas, chamada algumas vezes de "Ofensiva Rundstedt". Eu não tive nada a haver com ela. Ela chegou a mim com todas as ordens detalhadas[ Hitler ainda escreveu no plano com sua própria mão "Para não ser alterado"]...As forças colocadas à nossa disposição eram muito, muito, fracas para alcançar objetivos tão distantes....Era uma operação destituída de bom senso, e a parte mais estúpida era a que colocava Antuérpia [o maior porto da Europa Ocidental] como alvo. Se nós conseguissem cruzar o rio Meuse nós deveríamos nos joga de joelhos e agradecer a Deus - (Milton Schulman - Defeat in the West, 1947, p.289-90, cit. P/M.Cooper)

Sangue na neve

A área escolhida para o ataque alemão ia de Monschau até Echternach nas Ardenas, bem mais de cem quilômetros de extensão. Um pouco antes das 6 horas da manhã do dia 16 de dezembro de 1944 o ataque começou. Nos primeiros dias foi avassalador. Mesmo com a neve atrapalhando os movimentos, os tanques conseguiram abrir caminho em direção aos seus objetivos.

O 6º , o 5º e o 7º exército de panzers, liderados pelos generais "Sepp" Dietrich, von Manteuffel, e Ernst Brandenberguer, tinha objetivos distintos: o 6º tinha como missão ocupar o lugarejo de Saint Vith (devido a importância das comunicações) e depois alcançar a Anvers (onde havia depósitos de carburantes para os blindados); o 5º exército deveria tomar Bastogne, centro ferroviário da região e dali seguir para Bruxelas; o 7º devia proteger o flanco dos outros, contra o III Exército americano comandando pelo general Patton.

Até o dia 23 de dezembro o tempo ruim impediu que a aviação aliada entrar em ação. Os americanos enviaram suas divisões em socorro dos que estavam cercados em Bastogne em caminhões ou até mesmo a pé, em marcha forçada pela neve. Lá, o general Anthony McAuliffe, comandante da 101 Divisão Aerotransportada, que recebera a missão de manter Bastogne, apesar de sitiado por dez dias seguidos, negara-se a se render aos alemães, mandado-os "para o Inferno!".

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