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História - Século XX
SÉCULO XX

Che Guevara - México 1954-6

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Che Guevara
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Ao fazer plantão voluntário num hospital mexicano, voltou a encontrar um amigo cubano dos tempos da Guatemala. Nos dias seguintes foi apresentado a um grupo de exilados militantes do “Movimento 26 de julho”, ou M-26, que haviam buscado abrigo no México. Essa denominação decorria da data (26 de julho de 1953) em que Fidel Castro, um jovem advogado, inimigo da ditadura Batista, imposta em Cuba em 1952, resolveu atacar um quartel militar na Província do Oriente: o quartel de Moncada. A operação foi desastrosa para os insurgentes. A maioria deles foi capturada e fuzilada pelos soldados da ditadura. Fidel Castro teve sorte, rendido vivo foi levado para a prisão da Ilha de los Pinos.

Para muitos cubanos ele foi visto como um herói, enfrentando a tirania de peito aberto. Cedendo à pressões, Batista permitiu que Fidel Castro fosse solto e deixasse o pais. Ele partiu então para o México onde começou a organizar um grupo de exilados para voltar a ilha e derrubar, por meio de uma “guerra revolucionária”, o ditador. Inspirava-se no mesmo modelo do herói nacional cubano, o poeta José Martí, que em 1895, deu início à guerra de Independência de Cuba contra a Espanha.

Como os expedicionários precisavam de um médico, apresentaram Guevara a Fidel Castro que o convidou a engajar-se na aventura. Logo ele participou e comandou os exercícios militares preliminares de treinamento. Os cubanos habituaram-se a chamá-lo de “Che” pelo hábito platino, que ele tinha de recorrer a essa expressão tão típica. Fidel Castro, para dar viabilidade ao plano, adquiriu um iate chamado “Granma”. No dia 25 de novembro de 1956, atulhando a embarcação com armas e 82 homens, navegou do porto de Tuxpán, no Golfo do México, em direção à Cuba. Guevara, inspirado num poeta, um pouco antes de embarcar na aventura, escreveu à mãe “Eu só levarei para o túmulo/ o pesadelo de uma canção inacabada.”

Cuba: a guerrilha: 1956-9

"Entro e saio do perigo
sem que se espante o estrago;
não cedo ao primeiro amágo..."
José Hernández "El gaucho Martín Fierro" (Canto VI, 167)

A Cuba dos anos cinqüenta era uma semicolônia norte-americana. A luta pela Independência, iniciada por José Martí em 1895, provocara a intervenção dos ianques que derrotaram a metrópole espanhola na guerra de 1898, fazendo com que a ilha se tornasse um prolongamento dos seus interesses no Caribe. A agricultura era quase que exclusivamente dedicada ao açúcar, que representava 50% da safra e 80% das exportações. Um em cada cinco cubanos dependia da cana-de-açúcar. Quase todas as usinas eram americanas e os Estados Unidos absorviam a metade da sua produção.

A pseudo-independência que obtivera, especialmente depois da rescisão da Emenda Platt, em 1934, não alterou o perfil monocultural da sua economia. Muito do nacionalismo extremado dos cubanos, manifestado pela radicalidade dos acontecimentos a partir de 1959, deve-se a tal situação de desconfortável dependência.. Mantinham uma relação dúbia para com os americanos, onde o respeito misturava-se ao ódio a eles. Quando Fidel Castro se insurgiu, ele reivindicava o retorno à constituição democrática de 1940 (aviltada pelo golpe militar de Batista). Não cogitava, em princípio, nenhum tipo de revolução social, muito menos converter a ilha num regime comunista.

Na Sierra Maestra

O Granma, ao se aproximar do litoral cubano, em 2 de dezembro de 1956, encalhou. Os insurgentes perderam grande parte do material. O pior, porém, ainda estava por vir. Dias depois foram pegos numa emboscada pelo exército do ditador em Alegria del Pio. Quase foram dizimados. Menos de vinte homens sobreviveram para chegar ao alto da Sierra Maestra para juntar-se a Fidel Castro e dar inicio ao combate.

Foi nessa ocasião que Guevara, agora chamado definitivamente de Che, deixou de ser médico para tornar-se guerrilheiro. Em pouco tempo mostrou-se extremamente capaz de comandar homens e, apesar de ser estrangeiro, ganhou a admiração e respeito dos cubanos. Fidel Castro conseguiu não só sustentar-se no alto da Sierra como articular-se politicamente com a maioria das forças oposicionistas contra Batista. Até a simpatia da opinião pública americana ele atraiu ao mostrar-se um jovem idealista lutando contra uma ditadura corrupta latino-americana.

Depois do fracasso de várias tentativas de liquidá-lo, feitas pelo exército e pela aviação de Batista, feitas em 1957-8, Fidel deu ordem a que duas colunas de guerrilheiros se lançassem na ofensiva. Uma era liderada por Camilo Cienfuegos e a outra por Che Guevara. O acontecimento mais espetacular ocorreu quando Che Guevara tomou Santa Clara, a penúltima cidade importante antes da capital. Ao saber da sua queda, o ditador Batista fugiu de Cuba ao fim da Festa do Ano Novo, na noite de 31 de dezembro de 1959, indo refugiar-se em Miami. Uma semana depois disso, após uma marcha triunfal, Fidel Castro sentado na torrinha de um tanque entrou em Havana em meio a euforia da multidão. Aparentemente um milagre ocorrera. Um pequeno grupo de gente decidida, autênticos revolucionários, havia derrotado um exército latino-americano apoiado e armado por Washington.

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