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Zonas de influência
Os encontros em Yalta foram estabelecidos num horário que agradou Churchill: às 5 horas da tarde. O premier britânico detestava acordar cedo, e costumava despachar do leito onde ficava até o meio-dia. Nos intervalos das reuniões, sorvia generosas doses de uísque e à noite, na hora da confraternização, era vez de derrubar incontáveis garrafas de champanha. Roosevelt, que ficou lisonjeado, foi apontado por Stalin como o arbitro entre os dois super-poderes europeus, o Imperio Britânico e o Império Soviético. Churchill havia proposto, uns meses antes, uma política de Zonas de Influência sobre as áreas a liberadas ou ainda a serem liberadas. A Grã-Bretanha, num acordo prévio acertado em Moscou em outubro de 1944, quando o primeiro-ministro e Antony Eden foram à Moscou, ficaria com a Grécia e metade da Iugoslávia, enquanto Stalin teria o domínio quase integral sobre a Hungria, Romênia e a Bulgária (*). A questão mais polêmica foi a da Polônia. Churchill alegou que a Grã-Bretanha fora à guerra em 1939 para defender a soberania dos poloneses contra os nazistas e não poderia aceitar que aquele pais, em vésperas de ser ocupado pelo Exército Vermelho, fosse cair na órbita soviética. Stalin retrucou que não se tratava de uma questão de honra, mas sim de segurança. Milhões de russos pereceram e grande parte da União Soviética fora destruída por uma invasão que partira do território polonês. Ele, para tanto, já tomara as providências, criando um Comitê Nacional de Lublin, formado por poloneses de confiança refugiados em Moscou, como Bierut e Osóbka-Morawski, para assumirem o controle do país. Além disso, os britânicos e os americanos, quando ocuparam a Itália, não fizeram nenhum gosto em querer a coparticipação dos soviéticos nos arranjos do regime pós-fascista. Mesmo assim, Stalin concordou que, terminada a guerra contra a Alemanha, haveriam eleições livres na Polônia, pois um dos compromisso assumidos pelos Três Grandes - no tópico II da declaração final conjunta, de 11 de fevereiro de 1945 -, era assegurar que “os povos teriam direito de escolher sua própria forma de governo sob o qual desejavam viver”. Marcaram igualmente para o dia 25 de abril daquele ano uma conferencia em São Francisco, nos Estados Unidos, que lançaria as bases das Nações Unidas, composta inicialmente por todos os países que declarassem guerra ao Eixo até o dia 1º de março de 1945. A organização seria dirigida por um Conselho de Segurança de cinco membros permanente e por seis outros rotativos, a fim de garantir a paz e a segurança no mundo do após-guerra.
A partilha do Leste e do Sudeste da Europa
| Os partilhados | Parte Soviética | Parte Britânica | | Polônia | 100% | -x- | | Bulgária | 75-80% | 20-25% | | Romênia | 75-80% | 20-25% | | Hungria | 75-80% | 20-25% | | Iugoslávia | 50% | 50% | | Grécia | -x- | 100% |
Fonte: The Memoirs of Cordell Hull, cit/ I. Deutscher - “Stalin” vol. II, pag.470, RJ, 1970
O desmembramento da Alemanha
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O palácio Livadia, local da conferência de Yalta
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Ao contrário de novembro de 1918, quando os aliados vencedores do IIº Reich alemão, assinaram um armistício com o governo do Kaiser Guilherme II sem adentrar no território alemão, os “Três Grandes” comprometeram-se não só em ocupar a Alemanha como dividi-la em quatro partes (a americana, a britânica, e a soviética, com uma pequena presença da França). Somente assim, era a opinião unânime deles, poderiam extirpar para sempre o espírito belicista do nacionalismo prussiano responsável pelas guerras de agressão. Stalin enfatizou a necessidade dos alemães pagarem reparações a todo os países por eles agredidos desde 1939 em forma de usinas, equipamentos industriais, máquinas, navios, material de transporte, além de expropriar deles todos os investimentos que possuíam no estrangeiro, num total aproximado a 20 bilhões de dólares daquela época, dos quais 50% caberia à URSS. Teriam ainda que entregar as colheitas e até permitir o uso da força de trabalho alemão para restaurar os estragos da guerra. Uma das propostas mais radicais partiu de Henry Morgenthau, o Secretário do Tesouro americano (de 1934 a 1945), no sentido da “ pastorilização” da Alemanha, isto é, fazê-la voltar à Idade Média, com a remoção completa do seu parque industrial. A dieta dos alemães para Roosevelt seria “sopa na manhã, sopa no almoço e sopa na janta”. O país derrotado seria dirigido por um Conselho de Controle - formado por autoridades das quatro nações - responsável pela execução da política de ocupação. Acertou-se que aqueles que fossem apontados como criminosos de guerra seriam julgados num tribunal especial (a Corte de Nuremberg, funcionando a partir de 1946). Outros temas em pauta (que chegou a ter 14 disposições) diziam respeito ao regime a ser adotado na Iugoslávia, a questão de limites entre a Iugoslávia , a Itália, a Bulgária e a Áustria e, por fim, a necessidade da Turquia participar da etapa final da guerra. Stalin cobrou especial atenção para suas exigência no Extremo Oriente. Para entrar na guerra contra ao Japão, queria em contrapartida que os antigos “direitos russos” na região (Mongólia, entrada de ferro manchuriana, ilhas Sakalinas e Kurilas), perdidos na guerra russo-nipônica de 1904, fossem restaurados e ampliados.
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