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História - Século XX
SÉCULO XX

As críticas a Yalta

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Yalta
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Com a emergência da Guerra Fria, provocada pelo discurso de Churchill em Fulton, em 5 de março de 1946, quando fez a pública menção sobre a Iron Courtain, a “Cortina de Ferro”, pairando como uma ameaça sobre a liberdade dos europeus e a doutrina Truman que a seguiu (março de 1947), choveram acusações e críticas dos conservadores e dos direitistas ocidentais sobre o desempenho do presidente Roosevelt (falecido em 12 de abril de 1945). Ele simplesmente teria “entregado” a Europa do Leste aos vermelhos. De fato, o presidente estava com a saúde profundamente abalada (em semi-coma, segundo alguns dos presentes em Yalta, vindo a falecer 90 dias depois da cúpula), mas isso não foi a razão.

Em primeiro lugar ninguém entregou nada a Stalin. Foi o Exército Vermelho que, na perseguição aos nazistas, levou tudo de roldão, chegando, antes mesmo de capturar Berlim (em 2 de maio de 1945), até às margens do rio Elba, onde se deu a célebre confraternização com as tropas americanas na ponte de Torgau, no dia 25 de abril de 1945. Deve-se, também, levar em consideração que tipo de mundo previa Roosevelt para o após-guerra.

Não era um planeta dividido pelo ódio ideológico entre democratas e comunistas como os políticos, os diplomatas e os estrategistas militares da guerra fria, de ambos os lados, terminaram instituindo. Antes pelo contrário. Ele acreditava que poderia coexistir pacificamente com Stalin e era igualmente sincero na sua percepção de que os dias do Império Britânico estavam contados. Não fazia parte dos seus planos ficar na Europa com suas tropas muito além de dois anos (foi o que disse a Churchill em Yalta), visto que, fixado os limites gerais com Stalin, a verdadeira força na Europa, era desnecessária uma presença americana continuada por lá.

Era possível que restabelecida a sensação de segurança da URSS, arrasada e traumatizada pela invasão nazista, Stalin se encaminhasse para uma liberação do seu regime. Mas se Roosevelt de fato orientou-se nesse sentido teria feito o papel do ingênuo, um irresponsável que "capitulara" frente aos vermelhos em Yalta.

A stalinização da Europa do Leste

Pode-se supor que a politica soviética de stalinizar os países ocupados depois de 1945 (Romênia, Bulgária, Polônia, Hungria, Checoslováquia e Alemanha Oriental, transformados em “Democracias Populares”), obrigando-os a seguirem o modelo coletivista , deveu-se essencialmente ao seu anseio por segurança e não a um provável devaneio em querer ampliar as fronteiras do comunismo internacional. Afinal, desde o outono de 1924, ele defendera, contra a tese da “Revolução Permanente” de Trótski, a linha do “ Socialismo num só país” , tornando-se um descrente nas possibilidades do comunismo vir a ter sucesso fora das fronteiras da URSS (sinal disso foi o fechamento do Comintern, a Internacional Comunista, determinado por ele em 1943).

Daí resulta que a política externa adotada pelo generalíssimo não diferir, em essência, da dos czares russos do passado. Não era a causa socialista que o interessava, mas sim o poder, a integridade, e a grandeza da Grão-Rússia. Ele agitava a bandeira vermelha apenas quando isso taticamente interessava ao estado imperial russo. Isso explica a indiferença dele pela política de autodeterminação dos povos que se submeteram à ocupação soviética.(*)

(*) Interessa observar, a título de curiosidade, que a tese que o ele apresentou ao Comitê Central bolchevique, a primeira em que assinou com o codinome “Stalin”, intitulada “Os problemas das nacionalidades e a social-democracia”, em 1912, versava justamente em favor da autodeterminação das nacionalidades que se encontravam naquela época sob a tutela do czarismo.

Síntese da conferência de Yalta

Data: 7 a 11 de fevereiro de 1945
Presentes: F.D.Roosevelt (EUA), W.Churchill(GB), J. Stalin (URSS)
Assuntos tratados:A organização do mundo: fundação da ONU; declaração de liberdade para os povos; desmembramento e reparações pagas pela Alemanha; Polônia sob regime pró-soviético; questões de fronteira entre Iugoslávia e seus vizinhos; zonas de influência anglo-soviéticas; direitos soviéticos na guerra contra o Japão.

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