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História - Século XX
SÉCULO XX

O absurdo da guerra preventiva

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» EUA: o choque das doutrinas
» EUA: guerra preventiva
 
Truman, ao escrever seu livro de recordações sobre a época da sua presidência, foi bem explicito sobre a possibilidade de uma da guerra preventiva dizendo que: “Não há bobagem maior do que pensar que uma guerra poderá ser contida por meio da guerra. Você não “ previne” nada por meio da guerra, exceto a possibilidade da paz.” (Memoirs, V.II, 1956, pag. 383). E Bob Kennedy, quando o seu irmão foi pressionado pelos militares a atacar preventivamente Cuba, disse-lhes “durante 175 anos nós conseguimos não nos tornar esse tipo de pais”.

Pois Bush assegura Schlessinger Jr, tornou. Lembrou ainda o historiador que foram os japoneses, com seu ataque de surpresa sobre a base de Pearl Harbor, no Havaí, em 1941, sem declaração formal de guerra, quem, por assim dizer, anteciparam o espirito da Doutrina Bush. Portanto, ela não deixa de ser uma excrescência na tradição da política geral dos Estados Unidos.

Guerra preventiva e guerra prioritária

Truman e Bush, o choque das doutrinas
Os estrategistas do Pentágono, os subordinados do secretário da Defesa Donald Rumsfeld, logo trataram de encontrar estratagemas verbais e sofismas para tornar a ação atual contra Iraque mais palatável à opinião pública. Para eles os Estados Unidos não estão envolvidos exatamente numa guerra preventiva (preventive), algo que soa a um futuro em potencial, que leva em conta suposições não comprovadas, à prováveis desafios que ainda virão. Não se trata disso. O que ocorre no presente é uma guerra prioritária (preemtive), isto é, uma resposta rápida, um revide imediato a uma agressão sofrida. Trata-se de “um ataque iniciado na base da evidência total, incontroversa, de que o ataque inimigo é evidente.” Uma situação de emergência que não comporta protelações ou hesitações.

Ao seu favor, ao contrário da guerra preventiva que lembra prepotência, há uma indiscutível legitimidade, pois se trata de agir – no caso da guerra prioritária - em legítima defesa da nação agredida. Os estrategistas do Pentágono citam a favor da sua posição atual uma antiga declaração do secretário de estado Daniel Webster, feita em 1841, quando, em defesa da tese da guerra prioritária, disse ela resultar “ da necessidade de auto-defesa, rápida, esmagadora, não permitindo escolha dos meios e sem possibilidade de deliberação”.

O que está acontecendo nas terras iraquianas é assim, diz a burocracia guerreira, produto de um ato da guerra prioritária e não uma agressão preventiva, trata-se de revidar legitimamente um ataque devastador desencadeado por terroristas contra o território e contra os cidadãos norte-americanos.

A visão messiânica

Ocorre, assegura Schlessinger, que a guerra do Iraque não foi uma guerra prioritária, mas sim preventiva, uma “auto-defesa antecipatória”. Não havia nenhum sinal de evidente ataque a parte de Saddam Hussein contra qualquer alvo americano fosse no Oriente Médio ou nos Estados Unidos. Os ditos arsenais de armas de destruição em massa, químicas, bactereológicas e nucleares, que diziam ele possuir não passaram de um falso pretexto, cunhado pelas agencia de inteligência a serviço do Pentágono, para ir a guerra. Nem provou-se qualquer tipo de ligação ou conluio entre o regime iraquiano e a demoníaca Al-Qaeda, mentora intelectual dos atentados de 11 de setembro de 2001. Portanto, resta a questão do porquê os Estados Unidos foram a guerra contra o Iraque.

Para Schlessinger a resposta encontra-se no próprio George W. Bush. Cercado por líderes da direita cristã e por conselheiros imperialistas tomou-se de ares messiânicos. Acredita que os acontecimentos de 11 de setembro proporcionaram aos Estados Unidos uma oportunidade única de livrarem-se de todos os seus inimigos, de qualquer coisa que possa vir ameaçar a América no futuro. A nação mais poderosa militar e economicamente do mundo não pode deixar passar a oportunidade sem precedentes que o ataque a WT Center e ao Pentágono lhe proporcionaram para impor-se como exemplo a ser seguido e obedecido por todas as outras nações da Terra. Transformar o sentimento de dor e de perda provocado pelo ataque dos suicidas árabes, numa missão de redenção do império e mesmo da civilização ocidental e cristã, esmagando e pulverizando tudo o que vier pela frente.

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