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História - Século XX
SÉCULO XX

A Conferência de Teerã e os senhores do universo

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A Conferência de Teerã
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» Encontro na Pérsia
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A Conferência de Teerã, realizada em novembro de 1943, foi o primeiro dos três encontros entre os Senhores da Guerra do Universo – Roosevelt, Churchill e Stalin. Eles eram os homens mais poderosos do mundo naquela ocasião e as decisões que tomaram tiveram influencia no destino de milhões de indivíduos nos anos seguintes. Na reunião foi esboçado um conjunto de decisões que afirmariam ainda mais a ação coligada da Grande Aliança – EUA –GB – URSS - no sentido de levar as forças inimigas do Eixo à total derrota e capitulação 18 meses depois.

Os três estadistas

Stalin, Roosevelt e Churchill
Poucas vezes na história do século XX, três estadistas de origem social tão diversa e passado político tão distinto encontraram-se numa conferencia como deu-se durante a cúpula de Teerã, no Irã, ocorrida entre os dias 28 de novembro e 1º de dezembro de 1943. Representando os Estados Unidos, se fazia presente Franklin Delano Roosevelt, então com 61 anos, filho dileto do patriciado ianque, membro de um clã poderoso que há mais de meio século mantinha estreitos vínculos com o poder (o seu tio Theodor Roosevelt, também fora presidente) .

Família que, apesar de muito rica, tinha, seguindo a tradição jeffersoniana, sincera simpatia pela democracia e pelo povo em geral. A mulher dele Eleanor, sua prima-irmã, era uma consagrada defensora dos direitos humanos e uma incansável ativista das causas populares (mais tarde, foi uma das redatoras da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada pela ONU em 1948).

Falando em nome do Império Britânico, achava-se o primeiro-ministro Winston Churchill, com 69 anos, filho de Lord Spencer Churchill. Ninguém entre todos os presentes na conferencia tinha sangue mais azul do que ele, sempre orgulhoso dos seus antepassados aristocráticos, um dos quais, Lord Malborough, celebre capitão de armas do século XVIII, ele até chegara a biografar. Estadista culto e muito hábil, pintor amador e escritor talentoso, Winston Churchill era politicamente falando, o mais enfraquecido dos três lá presentes pelas sucessivas surras que levara de Hitler (retirada de Dunquerque, tomada de Creta e derrotas no Norte da África) .

Por último, lá estava o generalíssimo Joseph Stalin, ditador da URSS, com 64 anos, de origem social das mais humildes. O pai de Stalin era sapateiro na Geórgia, região do sul da Rússia, e consta que havia ainda nascido na servidão, enquanto a sua mulher, a mãe de Stalin, educara e mantivera o único filho do casal num seminário em Tibilis, lavando roupas para fora. Um abismo social e histórico separava o Palácio de Blenheim, onde Churchill passara a infância, da modestíssima choupana em que Stalin nascera na vila de Gori.

Os senhores do universo

Somente a guerra de agressão desencadeada por Hitler, em setembro de 1939, poderia ter colocado aqueles três homens tão diferentes, que representavam coisas tão distintas e tão contrárias, reunidos ao redor de uma mesma mesa de negociações. Roosevelt era um entusiasta da democracia e do capitalismo, Churchill era a própria materialização dos interesses universais do Império Britânico, enquanto o todo-poderoso Stalin era o arauto da revolução proletária e das aspirações anticolonialistas que vinham abalando o mundo desde 1917.

Um deles, o inglês, lutava para manter um império, os outros dois, o americano e o russo, lançaram-se à liça para construírem dois novos impérios. Curiosamente, apesar deles conduzirem milhões de homens e mulheres às batalhas, somente Churchill tinha experiência direta com a guerra (quando jovem ele participou da Guerra Bôer, na África do Sul). Roosevelt sofria de poliomielite que o deixou inválido, constrangendo-o desde 1921 a andar em cadeira de rodas, enquanto Stalin fora recusado pelo serviço militar do czar por ocasião da Iª Guerra Mundial devido a uma atrofia do seu braço esquerdo (o que não evitou, todavia, que nos tempos de luta clandestina, ele participasse num assalto a um trem no Cáucaso para realizar uma “ expropriação revolucionária”).

generalíssimo, ao longo do ano de 1943, protelou o que pode o encontro com seus dois aliados ocidentais. O temor dele era de que ao acertar-se com Roosevelt e Churchill, os japoneses, então em duríssima guerra contra os Estados Unidos e a Grã-Bretanha pelo predomínio da Ásia, e que não estavam até então traçando armas contra URSS, entendessem aquela cúpula como um ato hostil ao Império do Sol Nascente. Podendo, por isso, quererem abrir um novo fronte de guerra no Oriente, na Sibéria, contra os russos. Ao fazer isso, ao esticar ao máximo a data do encontro, finalmente marcado para o fim de novembro de 1943, ele terminou sendo beneficiado pelos acontecimentos.

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