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História - Século XX
SÉCULO XX

Churchill, o rei da Babilônia

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O desenho de grande parte do mapa do Oriente Médio, vigente até os dias de hoje, foi traçado no após I ª Guerra Mundial. Em março de 1921, Winston Churchill, recém nomeado Ministro das Colônias do Império Britânico, chegou ao Cairo para um encontro com as lideranças árabes. A Conferência do Cairo, realizada entre os dia 12 a 22 de março, tornou-se a matriz de duas nações árabes, a Jordânia e o Iraque de hoje. Devido a sua atuação personalista, imperial, em tratar com os nativos, Churchill foi apelidado sarcasticamente de "O rei da Babilônia".

No Cairo

John Bull, símbolo do império britânico
Terminada a Grande Guerra e superadas as desavenças dos Tratados de Paris, de 1919, o primeiro-ministro britânico Lloyd George decidiu indicar Winston Churchill para o ministério das colônias. Não era bem uma promoção, visto que Churchill desgastara-se ao apoiar o lado derrotado na guerra civil russa de 1918-20, quando jogara suas fichas nos exércitos brancos, comandados pelos generais czaristas que terminaram por serem derrotados pelo Exército Vermelho de Leon Trótski e dos bolcheviques. Lloyd George, porém, queria alguém com mão firme e dura para reorganizar o grande império, abalado e desgastado pela exaustiva guerra, e Churchill sempre fez o papel de intransigente defensor das possessões coloniais que a Grã-Bretanha tinha espalhadas em todos os cinco continentes. De certo modo, ele encarnava bem a caricatura do buldogue inglês que morde e não larga a presa. Não era uma tarefa fácil visto que o terrível conflito havia despertado paixões nacionalistas e autonomistas por todas as partes deixando as potências imperiais numa posição moralmente defensiva.

Os políticos e administradores ingleses, por atos mais do que por palavras, deixaram claro às nações árabes, e ao seu líder o Xerife Hussein, Emir de Meca, a quem eles haviam prometido a independência do Crescente Fértil depois de vitoriosos sobre o Império Turco Otomano, que seria bom que eles esquecerem as anteriores menções de apoio. O Império de Sua Majestade britânica derrotara os turcos, entre 1914-1918, e não estava disposto em delegar os territórios recém conquistados, grande parte do Quadrilátero Árabe, ao govenro dos xeques e emires árabes. Aceitava, isso sim, como revelou-se pelo Tratado Sykes-Picot, de 1916, compartilhá-lo com a França, sua aliada na Entente Cordial, mas não desistiria de controlar a região diretamente, especialmente pela ascendente importância que o petróleo adquiria no transcorrer da Grande Guerra. Não era realista, pois manter expetativas autonomistas.

A revolta Árabe de 1920

O resultado disso foi uma rebelião generalizada no eixo de cidades formado por Damasco-Bagdá. As massas árabes, sentindo-se traídas pelas potências ocidentais, se amotinaram em toda aquela área que hoje forma a Síria e o Iraque, obrigando as forças colonialistas a desencadearem uma violenta repressão, na qual carros de combate e aviões da RAF (a Real Força Aérea), e até gás venenoso, foram utilizados pelos britânicos contra a população civil. Esse episódio, conhecido com a Revolta Árabe, é que fez com que Churchill, sufocada com muito sangue a sublevação, viajasse até Cairo para encontrar uma solução que cauterizasse os sentimentos ofendidos dos povos do deserto. Estava totalmente descartada a hipótese da Grã-Bretanha vir a dirigir diretamente os governos locais. Churchill convidara como seu assessor especial para lidar com as intrincadas negociações com os chefes árabes, a T.E. Lawrence, o famoso Lawrence da Arábia, que, além de falar árabe fluentemente, lutara contra os turcos, ombro a ombro com os guerrilheiros do deserto e tinha fácil trânsito entre os xeques e emires.

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