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História - Século XX
SÉCULO XX

Curtis Lemay, explodindo o mundo

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A Crise dos Mísseis de outubro 1962 foi, seguramente, o momento mais perigoso para a sobrevivência da humanidade inteira. Nunca, ao longo da Guerra Fria, se esteve tão próximo de uma Hecatombe Nuclear como naquela ocasião. De um lado, John Kennedy, o presidente dos Estados Unidos, exigia que os soviéticos retirassem imediatamente os seus foguetes instalados secretamente na ilha de Cuba; do outro, Kruschev, o primeiro-ministro da URSS, desejando fazer uma barganha com a posição que conquistara, procurava ganhar tempo. Naquela ocasião, particularmente entre os dias 19 e 26 de outubro, até a autoridade do presidente norte-americano em conduzir os assuntos estratégicos foi questionada por altos setores militares, entre outros pelo general Curtis LeMay, fazendo com que os Estados Unidos quase mergulhasse numa ditadura militar de direita.

General Curtis LeMay

Portanto eu não vejo outra solução. Nem bloqueio ou ação política, eu vejo é começar a guerra. Eu não vejo outra solução. Eu quero ir direto à guerra...Eu não vejo outra solução senão que a intervenção militar direta, agora!"
General Curtis Lemay ao presidente J.F. Kennedy, 19 de outubro de 1962

Os acontecimentos se sucederam numa rapidez impressionante No dia 14 de outubro de 1962, um U-2, um avião de espionagem norte-americano que patrulhava a ilha de Cuba, trouxe de volta para a sua base uma bateria impressionante de fotos. Reveladas pelo Photint, o departamento especializado em fotografia aéreas, elas mostraram claramente a existência de uma série de silos de mísseis que estavam sendo instalados pelos soviéticos na ilha de Fidel Castro.

Imediatamente elas foram mostradas ao presidente Kennedy. Ele, que ainda estava amargando o fiasco que fora o desembarque dos contra-revolucionários anticastristas, ocorrido um ano antes na baía dos Porcos, em Cuba – projeto da CIA - , sentiu que ali estava a sua oportunidade da desforra, de criar um grande caso contra a URSS. Sob ponto de vista estratégico, a posição do presidente americano era inatacável. Os Estados Unidos não poderiam permitir que uma potência inimiga, bem distante do Hemisfério Ocidental, viesse a colocar os foguetes SS-4, com suas ogivas nucleares, quase que às portas do país. O que Kruschev, o então primeiro ministro soviético fizera, pelo menos assim entendeu a maior parte do staff presidencial, ainda que inadvertidamente, era praticamente uma declaração de guerra contra a América do Norte.

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