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Curtis Lemay: um bravo piloto
Para discutir quais os passos a serem adotados, Kennedy formou o Executive Committe, um reduzido grupo de auxiliares civis e militares, mais o pessoal da segurança nacional, para formular a ação mais acertada para enfrentar aquela situação gravíssima. Entre eles estava o general Curtis LeMay. Tratava-se de uma figura lendária, um extraordinário piloto que fizera fama na IIª Guerra Mundial, tido como o melhor navegador da USAF, a Força Aérea americana, em todo os tempos. Na Guerra do Pacífico, como comandante do 21º esquadrão das fortalezas voadoras, entre 1942-45, ele foi responsável pelo devastação de mais de 60 cidades japonesas, as quais incinerou com bombas incendiárias, liquidando uns 100.000 civis. Terminada a guerra, ele assumiu a chefia da USAF na Europa, destacando-se como o organizador da Air Lift, a ponte aérea que abasteceu a cidade de Berlim durante a crise de 1948-9, quando Stalin havia ordenado o bloqueio terrestre sobre ex-capital alemã. Atribuiu-se a ele – defensor entusiástico dos bombardeios estratégicos - um dos primeiros planos, feitos ainda em 1949, de uma ofensiva aérea em massa contra a URSS. Partia do principio de que devia-se “usar o arsenal inteiro das Bombas Atômicas num só ataque”, no qual 133 delas seriam lançadas, num prazo de apenas 30 dias, tendo como alvo umas 70 cidades russas selecionadas por ele de acordo com a importância delas. Operação que, evidentemente, se fosse consumada, nos teria levado à III ª Guerra Mundial.
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Uma revoada atômica desses B-52 mataria o urso russo
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Kennedy, que admirava a sua bravura e coragem pessoal, promovera-o em 1961 a Chief os Staff da USAF, o supremo comandante da Força Aérea, mesmo sabendo que o guerreiro não tinha nenhuma simpatia pela sua política inicial de aproximação com os soviéticos O presidente encaminhava-se para assinar o Tratado de Proscrição das Armas Nucleares com a URSS, visto que . Kennedy pensava em mudar o ritmo da Guerra Fria, impedindo que a sucessão sem fim de experiências atômicas, tanto na atmosfera como no subsolo, feitas pelos americanos ou pelos soviéticos, nos conduzisse algum dia ao Armagedon final. A intenção dele, suspendendo com aquelas explosões, era, por assim dizer, “esfriar” a Guerra Fria. O general LeMay, não sem razão apelidado de “águia de aço”, não queria saber disso. Negociar a proscrição de armas era demonstrar fraqueza, era fazer o jogo dos comunistas. A mesma tecla batida por Edward Teller, o velho falcão anticomunista que criara a Bomba-H, e que detestava ouvir falar em apaziguamento. LeMay achou que o incidente com os mísseis em Cuba criara uma oportunidade e tanto para os Estados Unidos. O urso russo, disse ele, sempre desejou meter uma das patas na América. Agora caíra na armadilha. Fora pego em flagrante com as armas ainda não aprontadas, portanto sem capacidade operacional imediata, proporcionando assim uma vantagem tática para o governo americano desencadear uma ofensiva arrasadora que poria o urso de pronto no chão. Era só dar a ordem que seus 300 bombardeios do Strategic Air Command, num fôlego só, fariam o serviço.
Felizmente, para o mundo e para o bem da humanidade, uma semana depois da tensa reunião de Curtis Lemay com o presidente, Kruschev, no dia 26 de outubro de 1962, remeteu uma carta apaziguadora a Kennedy, comprometendo-se a remover os mísseis de Cuba (que aquela altura estava submetida a uma total quarentena pelos navios e aviões americanos). O general que chegou a dizer que Kennedy se acovardara frente ao desafio de ir á guerra, pretendeu até concentrar o arsenal nuclear no Comando Aéreo Estratégico, isto é, nele mesmo, retirando-o das mãos da presidência. Se isso tivesse ocorrido – a transferência do controle das armas do poder civil para o poder militar – ou fosse aceito, as autoridades constitucionais americanas teriam dado o primeiro passo que as levaria a sucumbir frente a uma ditadura militar direitista, com conseqüências histórica e políticas incalculáveis (*)(*) Dois filmes marcantes, extraordinários, sobre o episódio da crise dos mísseis e suas conseqüências, foram lançados por Hollywood em 1964. O primeiro foi o Dr. Strangelove (O Homem que amava a Bomba Atômica), de Stanley Kubrick, sátira feroz sobre aqueles militares e cientistas norte-americanos que cercavam o staff presidencial e que propunham a guerra total contra a URSS, cuja cena final encerra-se com uma profusão apavorante de bombas nucleares explodindo pelo mundo afora. O segundo, intitulado Seven days in May (Sete dias de maio), de John Frankenheimer, tratou da encenação da descoberta de um golpe militar em andamento por parte de um coronel. O supremo comandante das forças armadas norte-americanas, um general do mais elevado posto, organizando manobras de emergência, estava pronto para prender e destituir o presidente do pais, acusado de trair a pátria por querer um acordo com os soviéticos.
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