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História - Século XX
SÉCULO XX

Cuba: as relações com a igreja

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» Cuba, Fidel e a Igreja
» Cuba: relações com a igreja
 
Mas essas amistosas relações de Fidel com a Igreja não mais se repetiram. Alguns anos depois, já no poder, quando apresentou seu Projeto de Reforma Agraria, em 17 de maio de 1960, teve contra si grande parte dos bispos. A Igreja de Cuba , instituição mais eminente do antigo Império Espanhol, tinha históricas ligações com os donos de engenho e com os grandes proprietários de terra da ilha. A tal ponto que eram eles e não o estado secularizado quem garantiam diretamente os proventos dos 800 e poucos padres da ilha de Cuba. Além disso, ela havia cometido o pecado de excomungar José Martí, o herói nacional cubano, morto numa escaramuça libertária em 1895.

No entanto, quem mais afastou a Igreja da sociedade cubana não foi a Revolução nacionalista de 1959 e sim a anterior presença americana. Quando os Estados Unidos ocuparam a ilha, depois da Guerra de 1898 contra a Espanha, entre 1898-1902, podaram a Igreja Católica de uma série de privilégios, apartando-a do Estado. Foram os americanos que instituíram o casamento civil obrigatório e que retiraram a Igreja Católica do controle dos cemitérios. Além disso estimularam a chegada de missionários protestantes para converter o máximo de gente possível as suas crenças.

O conflito com Fidel Castro, porém, assumiu um tom ainda mais grave do que o travado com os americanos. Além de repudiarem a reforma agrária , um terço dos padres católicos eram espanhóis de formação franquista e eram anticomunistas fóbicos O regime revolucionário considerou-os contra-revolucionários e suspendeu seus vistos. De roldão os restos do catolicismo quase foram varridos da ilha. Conforme a situação radicalizou-se não era de bom tom ser visto freqüentando missas ou fazendo orações. Nem mais se admitiu que algum militante católico pudesse integrar o único partido oficial do pais, o Partido Comunista Cubano. Aos reconhecidamente católicos foram vedadas as funções publicas (*)


(*). De certo modo, repetiu-se em Cuba o estremecimento antes acontecido no México na época da revolução de 1910, ocasião em que também a fundação de um estado secular chocou-se com a presença ativa da alta hierarquia católica na direção dos destinos nacionais. Nos anos vinte, em reação à politica de laicização da sociedade adotada pelo presidente Plutarco E. Calles, eclodiu uma contra-revolução liderada pelos "cristeros", isto é, o seguidores da Igreja Católica do México)

A teologia da libertação e Cuba

Catedral de Santiago de Cuba
Apenas na metade da década seguinte, nos anos 70, que as relações de Fidel Castro com setores do clero latino-americano melhoraram. E a razão disso foi a emergência da Teologia da Libertação. Jovens teólogos católicos como o padre Gutiérrez e frei Leonardo Boff, entre tantos outros, passaram a ver no regime comunista cubano, envolto em pobreza e na escassez de consumo, uma espécie de retorno aos sagrados princípios do cristianismo primitivo. Algo totalmente oposto ao consumismo do capitalismo liberal vigente no restante do hemisfério americano.

O ápice dessa aproximação foi a longa entrevista que Fidel Castro concedeu a Frei Betto, hoje assessor especial do governo brasileiro, e que teve várias edições publicadas depois de 1985. Livro tido como um divisor de águas na relação de Fidel Castro com os católicos e que teria contribuído para melhorar as relações do regime com a Igreja. A partir de então sabe-se que a pressão sobre os católicos diminuiu e os sacerdotes voltaram a respirar. Tão bem sucedida foi essa operação de reconciliação que fez com que o Papa João Paulo II , um anticomunista, terminasse por receber Fidel Castro no Vaticano, retribuindo depois com uma histórica visita dele à Cuba.

O site recomenda
Frei Betto – Fidel e a religião (São Paulo, Editora Brasiliense, 1985)

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