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História - Século XX
SÉCULO XX

Coréia: lavagem cerebral

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O alto comando militar norte-americano do general Douglas MacArthur foi tomado de surpresa. As palavras colocadas ao serviço do inimigo saíam da boca de americanos mesmo. Mal caiam prisioneiros (no total foram 7.245 aprisionados) , sem que ninguém os torturasse além dos maus-tratos comuns infligidos em tempo de guerra, passados uns dias nos acampamentos de detenção, denominados pelos americanos de POW camps, lá estavam eles voluntariamente pondo-se à disposição dos norte-coreanos e dos chineses de Mao Tse-tung (que haviam entrado na Coréia em socorro deles).

O que estaria ocorrendo com os soldados americanos capturados pelo inimigo? Foi daí que, para responder ao mistério do colaboracionismo, criou-se a fantasia da Brain-washing, a Lavagem Cerebral. Os orientais, aqueles pérfidos, aperfeiçoando os métodos do dr. Pavlov - o célebre fisiologista soviético, o inventor do reflexo condicionado, morto em 1936 -, estavam fazendo a cabeça dos aprisionados.

Pois não é que aqueles demônios vermelhos, passaram a afirmar os oficiais, isentando aquela atitude de fraqueza dos seus subordinados, haviam desenvolvido uma poderosa e eficaz técnica de persuasão. Misturando sons, drogas e outros efeitos hipnóticos, conseguiam transformar, em questão de dias, senão de horas, um bom rapaz do Meio-Oeste, educado no amor à pátria e nos valores da democracia, num autômato repetindo como se fora um cão adestrado as instruções antipatrióticas de um Fu Manchu qualquer?

O candidato da Manchúria

O sargento programado para matar (Cartaz do Candidato da Manchúria)
Pelo jeito que as coisas andavam na Coréia daquela época, um china atentendente, instruído no aparato pavloviano, fazia de um Jimmy ou de um Johnny, um salivante robô capaz de repetir em alto e bom som tudo aquilo que lhe ordenavam. Era como se eles dispusessem de uma poderosa broca invisível que alterava para sempre o cérebro de suas vítimas, removendo delas qualquer sentimento de fidelidade patriótica ao extirpar-lhes o ego. Os Estados Unidos foram assediados por uma reação paranóica. Mensagens subliminares, acreditaram, estariam sendo colocadas nos meios de comunicação, nos filmes, nos rádios e nas televisões, pelos comunistas infiltrados para dominarem as mentes dos cidadãos. Foi em meio a esse clima maluco, pródigo em teorias conspirativas, que o senador Joseph MacCarthy, o caçados das bruxas, prosperou.

O apogeu disso deu-se com o The Manchurian Candidate, filme de John Frankenheimer, um clássico do anticomunismo rodado em 1962. Baseado numa novela de Richard Condon (que John Kennedy lera com admiração), na qual um sargento herói de guerra, chamado Raymond Shaw (após ter sido levado aprisionado para o campo de Tomwa, na Manchúria), é psicologicamente instrumentalizado pelo sinistro dr.Yen Lo para uma terrível missão: assassinar ninguém menos do que o presidente dos Estados Unidos no momento em que ele se fizesse presente no Madison Square Garden de Nova Iorque(*). Situação que é evitada de uma maneira dramática no último minuto.

Nunca houve nenhuma comprovação de que tais métodos sofisticados fossem alguma vez empregados contra soldados americanos rendidos, porém um caipira texano, ideologicamente confuso, parece ter gostado da idéia: o nome dele era Lee Harvey Oswald, um ex-fuzileiro naval. Um ano depois da estréia do filme de Frankenheimer, em Dallas, em 22 de novembro de 1963, ele atingiu a cabeça do presidente John Kennedy com a exata precisão que o fictício sargento Shaw deveria ter agido. Como sempre, são os delírios dos americanos quem os põem a perder.

(*) A bem provável resposta britânica à fraqueza dos norte-americanos em suportar as técnicas pavlovianas de condicionamento foi o filme The Ipcress File (O Arquivo Confidencial, 1965),dirigido por Sidney J.Furie, no qual o personagem principal, o agente Harry Palmer do M-16 inglês, consegue burlar os inimigos que, depois de terem-no capturado, haviam-no submetido a uma diabólica máquina de lavagem do cérebro.

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