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História - Século XX
SÉCULO XX

Churchill, o herói do Império

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Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, estadista, escritor e pintor amador, falecido em 1965, foi um dos personagens marcantes do século 20. Atingiu a celebridade como aquele que, nos maus momentos em que a Grã-Bretanha passou nos começos da Segunda Guerra Mundial, jurou jamais se render frente as forças do nazismo em ascensão, tornando-se o campeão da resistência contra a opressão de Hitler. Biografado de maneira alentada pelo filho, sir Randolph Churchill, agora sua vida foi novamente retratada, desta vez por Lord Roy Jenkys, reitor de Oxford, num livro de quase mil páginas que pretende ser uma síntese das inúmeras atividades e também uma história política de voa parte do século passado.

O herdeiro dos Malborough

W.Churchill (1874-1965)

“Eu jogo com os grandes perigos”
W.Churchill

Numa das suas raras folgas das atividades políticas, ainda nos anos de 1920, Winston Churchill decidiu percorrer a trajetória das vitoriosas marchas do seu antepassado Lord Malborough. Tratava-se de um capitão–de-guerra inglês que, entre 1704 e 1710, época da Guerra da Secessão Espanhola, aplicara sucessivas derrotas nos exércitos de Luís XIV e de seus aliados. O resultado disso, dessa viagem dele da Holanda à Alemanha, viu-se quando Winston, escritor de mão cheia, publicou , entre 1933-38, uma alentada história em quatro volumes sobre os feitos do lorde guerreiro. Pode-se entender tal desvelo como um agradecimento tardio dele, pois Winston Spencer Churchill nascera em 1874, de mãe americana, no Castelo de Blenheim, a propriedade que John Churchill (o nome de batismo do general, fundador da linhagem, e a quem ele procurava emular) havia ganho da rainha Ana em agradecimento por ele ter aparado as ambições do rei francês. Blenheim, um lugarejo a beira do rio Danúbio, fora uma daquelas tantas vitórias.

Winston, assim, veio ao mundo sob o signo de um destino militar associado aos interesses da corte, foi um daqueles tantos cavalheiros guerreiros, o último deles, que o império britânico fora tão pródigo em projetar desde os tempos de sir Walter Raleight, morto em 1618. Todavia, pode-se também entender o livro de Churchill resultado de uma outra motivação, esta de ordem premonitória. John Churchill atuou nos quadros da estratégia perene da Grã-Bretanha que a obrigava sempre a opor-se a quem, rei, imperador ou ditador, tentasse tornar ser o poder dominante na Europa. Enquanto Lord Malborough enfrentou Luís XIV (classificado pela pena passional de Winston como “a maldição e a peste da Europa”), o seu descendente, mais de dois séculos depois, guerreou contra Hitler (aliás, foi durante a estada dele em Munique que tentaram infrutiferamente, acertar uma entrevista dele com o chefe dos nazistas).

Fé no império anglo-saxão

Churchill, ainda jovem, entrou no cenário da vida politica inglesa de maneira espetacular. Cobrindo como correspondente a dura Guerra Bôer, travada pelo império contra os brancos da África do Sul, entre 1899-1902, ele caíra prisioneiro quando seu trem blindado fora emboscado. Todavia, ele conseguiu escapar dos guerrilheiros boers, realizando uma fuga espetacular de Pretória, com direito a ter a cabeça a prêmio e tudo (anos depois, em 1922, quando tratava com Michael Collins, o fundador do IRA, o tratado que acertou a emancipação da Irlanda, ele referiu-se ao fato dele, naquela aventura africana, ter valido bem menos, só 25 libras, do que a cabeça de Collins , posta a prêmio pelos ingleses por 5.000 libras!). Voltou como herói para casa, abrindo desta maneira as portas para um intensa e portentosa vida política e parlamentar que se estendeu por mais de meio século.

Churchilll, como todos da sua classe, era abertamente racista. Se tomou posições condescendentes para com a autonomia dos irlandeses (que afinal eram brancos), mandou o governador britânico da Mesopotâmia gazear os árabes quando da revolta iraquiana de 1920, como igualmente manteve-se oposto às reivindicações dos indianos em obterem a independência (considerava Gandhi “um faquir sedicioso”).E até o fim, quando era evidente que o império não poderia mais ser mantido, ele bateu o pé contra a emancipação da Índia, entendendo-a habitada por um povo miserável, selvagem e supersticioso, que só poderia ser contido da desordem crônica pelo relho do homem branco. Churchill sempre depositou uma espécie de fé religiosa na superioridade raça anglo-saxã, acreditando-a a única habilitada a governar o mundo (situação hoje consagrada pela aliança de ferro entre os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, hegemônica no planeta). Crença que ele não estendia aos germanos em geral, pois via-os desprovidos da sofisticação necessária para conduzir ao bom caminho os milhões de nativos que povoavam a terra.

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