O Alerta de Ésquilo
Esta desditosa história narrada por Ésquilo, chamada Os sete contra Tebas, foi encenada no teatro Dionísio em Atenas possivelmente no ano de 467 a.C., e sua intenção estava longe de limitar-se a expor uma querela entre os desvairados herdeiros do infeliz Édipo. O teatro na Grécia clássica, sabe-se, tinha funções outras além do entretenimento.
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Teatro Dionísio em Atenas (reconstrução)
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A tragédia, por exemplo, sempre abordava um tema político. Esmerava-se em ser um instrumento da educação do povo e das suas elites dirigentes, assumindo sempre ares de alta pedagogia. Suspendendo-se momentaneamente a questão da maldição que perseguia aquela família, a dos Labdácidas, por gerações, o fascinante dessa celebrada peça é o estrago que o poder exerce sobre os indivíduos.
O Elixir do Poder
Ter uma posição de mando num governo qualquer parece ser um elixir tão vigoroso como perigoso. A gostosa embriaguês que ele provoca parece não ter mais fim. Mandar e ser obedecido dá-lhe uma tal sensação que ele termina por acreditar-se um deus. Nada estranhar-se, pois, que a teoria do direito divino dos reis tenha durado tanto tempo. Arrastou-se por séculos. Clio, a musa da História, registra que de Calígula a Luís XVI, quase todos acreditavam que o poder era algo sobrenatural. O comportamento de Etéocles ainda ilustra um outro aspecto da política: o problema da sucessão, ou melhor, da inconformidade em ter que transmitir-se o poder a um outro, ainda que o costume, a lei constitucional ou um acordo, assim o determine.
O Apego ao Poder
A paixão continuísta é uma das perversões mais comuns ao estadista. E não se imagine que seja uma sedução que atinja apenas os aventureiros sem escrúpulos. Homens até então honestos, de passado ilibado, facilmente rasgam
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O poder é um jogo sedutor?
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suas biografias em favor de ficar mais alguns anos de posse da caneta ou do sinete todo-poderoso. Não há nada que não façam para isso. Corrompem, ameaçam, falsificam, descaradamente removem os renitentes, não poupam dinheiro nem favores, fazem o diabo enfim para continuar a posar de deus. Mesmo que seu gesto possa atrair o opróbrio do mundo, que sobre os seus desabem desaforos e desgraças, que os amigos se apartem dele, nada o demove do intento.
O recado de Ésquilo porém parece claro: o que não respeita as regras da sucessão, mais tarde ou mais cedo afunda junto com o seu insucesso. Acaba tendo como única propriedade a cova em que termina sendo enterrado, enquanto que o seu nome vagará pelos tempos apenas como o de mais um fantasma desastrado.