A Tragédia da Sucessão
O problema da sucessão na política é tão antigo como as primeiras organizações tribais. Uma das peças que Ésquilo, o grande autor
dramático grego, escreveu há quase dois mil e quinhentos anos atrás, narrando a briga entre dois herdeiros, continua sendo atualíssima, especialmente no nosso continente, onde a maioria dos chefes de Estado tentam prolongar o mandato.
Laio e seus Descendentes
"O poder, qual peste desoladora/ polui o que toca/
Ruína de todo gênio, virtude, liberdade e verdade.."
P.Shelley - Queen Mab, 1813
O rei Laio e seus descendentes eram uma raça maldita, danados que foram pelos deuses olimpos. Édipo, o seu único filho, matou-o e, sem o saber, além de assumir o seu lugar no trono de Tebas, casou com a própria mãe. A prole dele, os filhos do incesto, dois rapazes e duas moças, seguiram infectados. Quando Édipo,
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As mênades, as enlouquecidas
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ao ter tomado consciência da sordidez em que estava envolvido, enojado, varando os próprios olhos, partiu para o exílio. O cetro real ficou para os dois príncipes, os jovens Etéocles e Poliníces. Combinaram então entre si que compartilhariam a coroa de forma alternada. Por uns tempos ficava em posse de um irmão que depois a cedia ao outro. Parecia tudo andar bem até que algo emperrou a coisa.
A Briga dos Irmãos
Quando deu-se a vez de Etéocles entregar o manto real, ele recusou-se a fazê-lo. Por mais que o irmão esbravejasse e o injuriasse, ele manteve-se irredutível: não sairia do trono! Impossibilitado de encontrar uma solução, Poliníces então abandonou a cidade, abrigando-se num reino vizinho. A injustiça que sofrera logo causou indignação em toda a região. Não demorou para que uns valentes se oferecessem para acompanhá-lo num assalto à cidade natal para que ele pudesse reaver os seus direitos. E lá estava novamente o reino de Tebas assolado pela desgraça, vítima de uma briga de irmãos.
Os Sete Contra Tebas
Os atacantes, em seguida a terem "degolado um touro sobre um escudo negro e terem embebido suas mãos no seu sangue", combinaram um ataque simultâneo aos sete portões da polis, forçando Etéocles a distribuir as forças da resistência por todos eles. Para cumulo da infelicidade, os dois príncipes se defrontaram num duelo de morte embaixo da mesma porta. Morreram um traspassando o outro.
Um pouco antes do infausto, pesando-lhe o fato da sua nobre cidade estar sitiada por sua teimosia, dela poder vir a ser arrastada às profundezas do Inferno por ele não ter respeitado os prazos e o acordo feito com o irmão, Etéocles atribuiu o desatino do seu ato às forças misteriosas que atiçaram-lhe a cobiça e o seu desmedido apego ao trono. Aos fados, enfim. Para os que o cercavam era o "hálito do demônio" quem o alcançara. Dizendo que "seus torreões não se intimidariam com o relincho das éguas dos inimigos", partiu para o combate onde acabou entregando a sua alma.
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A tragédia era uma lição de política
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