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Os governantes
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Os governantes são os mais sábios
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Um dos aspectos mais conhecidos e polêmicos da utopia de Platão é o que trata dos governantes (arcontes), pois para ele a sociedade ideal deveria ser governada pelos filósofos, ou pelo filósofo-rei, porque somente o homem sábio tem a inteira idéia do bem, do belo e da justiça. Consequentemente, ele terá menos inclinação para cometer injustiças ou de praticar o mal, impedindo os governados de se rebelarem contra a ordem social. Mas por que o homem sábio é aquele que está mais próximo da idéia do bem?
O mundo das idéias
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Platão, o reformador deve olhar para os céus
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Para responder a isso é preciso entender que Platão era adepto da teoria da transmigração ou do eterno retorno das almas, fenômeno conhecido como palingenesia. Tudo o que existe aqui no mundo real, em nosso mundo, não passa de uma projeção materializada do mundo das idéias que está bem além da nossa percepção sensitiva, conservando-se nele todas as formas que existem (tantos os objetos, tais como cadeiras e mesas, como as idéias morais). Nosso corpo, ao morrer, faz com que a alma (psikê) se desprenda dele e flutue em direção ao lugar celestial onde se encontram as idéias ou formas (o tópos ouranós). A alma dos filósofos, dos homens amantes do saber, é a que mais se aproxima deste mundo, percebendo então na suas plenitudes, mais do que as almas das gentes comuns, as idéias de bondade, beleza e justiça. .É exatamente esta qualidade da alma do homem sábio é que o torna mais qualificado para ser o governante da sociedade perfeita. Portanto, segundo um conselho de Sócrates exposto por Platão, todo o reformador social, o legislador que deseja melhorar os homens e a sociedade, deve agir como um pintor de paisagens que fica horas admirando os céus para tentar reproduzir a sua beleza na tela. É olhando para os elevados, para os cimos celestiais, que se consegue a inspiração para melhorar a vida na terra.
Essa elaborada justificativa de Platão, alijando o povo do governo da sociedade perfeita e entregando-o a um grupo seleto de homens do saber, servirá, ao longo dos séculos, para todos aqueles que defendem um governo das minorias especialistas, chegando até o presente, nos que fazem a apologia da tecnocracia.
Projeção
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T.Morus (1478-1535) retomou com sucesso as idéias utópicas de Platão
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A utopia de Platão estimulou pelos tempos afora uma série de teorias que também visavam à constituição de uma sociedade perfeita. De certa forma, ele espelhou a enorme e infinita insatisfação humana com as sociedades imperfeitas em que estamos condenados a viver. Ele, de certo modo, laicizou a busca pelo Paraíso. Difundiu a idéia de que é possível alcançar-se uma sociedade perfeita formada por seres humanos exclusivamente com recursos humanos e não divinos. A República platônica é antes de tudo um grande projeto de engenharia social. É inegável sua influência na obra de Thomas Morus, A Utopia, de 1516, na de Dominico Campanella, A Cidade do Sol (Civitas Solis), de 1602, bem como na maioria das doutrinas políticas socialistas que emergiram nos séculos XVIII e XIX. O sonho platônico igualmente foi apontado, especialmente por Karl Popper (A Sociedade Aberta e seus Inimigos, de 1957), como inspirador dos movimentos autoritários, como o fascismo, em decorrência de sua postura antiliberal, celebrando a rigidez hierárquica, excluindo dela a liberdade da realização econômica.
Crítica
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Para Aristóteles as idéias de Platão eram antinaturais
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A principal crítica feita às teorias de Platão ocorreram em sua época mesmo; sendo que as mais consistentes partiram do seu discípulo Aristóteles, que apontava a idéia da comunidade dos bens, das mulheres e dos filhos, como oposta à natureza das coisas. Elas desconhecem também, segundo o crítico, o fato de que se a cidade é a "unidade da multiplicidade", composta de pequenos grupos e pessoas que são distintas umas das outras e que fazem questão de manifestar abertamente a sua distinção. Na cidade ninguém quer parecer-se com o outro. Torna-se, pois, antinatural exigir uma uniformização ou padronização total, como sugerem os moldes platônicos. Para Aristóteles, a tese de entregar o poder apenas a um segmento da sociedade, aos sábios, selecionados por um complexo sistema semelhante ao de uma casta que governariam sem nenhum limite, parecia-lhe contradizer a vocação essencial da cidade, que é ser regida por leis comuns a todos e não apenas por um setor dela, por mais qualificado que o governante pudesse ser.
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