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Da Igreja para o Estado

Vindo primeiro de Roma, onde desde jovem Mazzarino despertou a atenção dos seus superiores, ele chegou a Paris em 1630, para onde o legatário papal de Milão o havia enviado em missão, a fim de negociar com o cardeal Richelieu, o todo-poderoso ministro de Luís XIII. Este foi um encontro decisivo na vida do jovem emissário da Igreja.

Fascinado pelo carisma e pelo poder que emanava daquela eminente personalidade que era o cardeal Richelieu, escreveu: "Eu resolvi devotar-me inteiramente a ele." Aos 32 anos, elegante, charmoso e esbelto - traços que ainda manteve vinte anos depois, quando Philippe de Champaigne o imortalizou numa tela -, dotado de um refinadíssimo gosto pelas artes e pela música

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Richelieu cercando La Rochelle pondo fim aos direitos dos huguenotes

e com uma reconhecida facilidade em circular nas altas esferas, logo nomearam-no núncio na corte francesa. Foi então que deixou de ser um diplomata como outro qualquer para tornar-se um homem de Estado. Mudou-se de servidor do trono de São Pedro para o trono da França.

Mazzarino primeiro-ministro

Convivendo com Richelieu e o padre Joseph, a eminência parda do cardeal, Mazzarino abandonou o serviço papal e naturalizou-se francês, assinando a partir de então Jules Mazarin. Com esse passo, habilitou-se a ser o sucessor do grande homem quando esse faleceu, em 1642. Com a morte do rei no ano seguinte, Mazzarino assumiu a regência do jovem príncipe, que, mais tarde, viria a ser Luís XIV, e cuja educação ele assumiu pessoalmente.

A obra de Mazzarino foi invejável. Consolidou a política de Richelieu no sentido de obter para a França suas "fronteira naturais "(o Reno a leste, e os Pirineus ao sul), como foi um dos artífices da Paz de Westfália, de 1648, que pôs fim à devastadora Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Internamente, solidificou o poder real contra a alta nobreza, esmagando, em 1653, a Fronda, e, aplicando a moderação na revolta camponesa de Solonge, de 1658. Administrativamente, cercou-se de gente talentosa como Colbert. Fouquet, Lionne e Le Tellier. Também não contemporizou com os jansenistas, uma dissidência religiosa , considerando-os nocivos à ortodoxia católica que defendia.

Nutrida oposição


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A corte assistindo o teatro no Louvre

Nada disso o impediu, ou talvez por isso mesmo, de tornar-se alvo das "Mazarinardes", uma onda de panfletos que lançaram contra ele, tornando-o, creio, um dos primeiros homens públicos a ser derrubado, por duas vezes, pela força da imprensa. Acusavam-no - "o bárbaro oficial que nos tiraniza", como constava num deles - de voracidade, nepotismo e relações ilícitas, além de ter amealhado um imenso patrimônio em palácios, quadros e jóias. Infamaram-no mas não mentiram. O cardeal, ao contrário dos demais prelados cristãos, não fez voto de pobreza, mas de riqueza. Seu Deus não era um asceta do deserto, mas o do bezerro de ouro. Salvaram-no, do ódio quase coletivo que despertou, o amor que lhe devotava a rainha-mãe, Ana de Áustria, e o desejo do príncipe adolescente em tê-lo por perto.

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