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Guerra civil na guerra civil


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A terrível face da guerra civil tela de Dali)

Orwell estava se recuperando em Barcelona quando assistiu, em junho de 1937, a liquidação, por fuzilamento ou encarceramento, do POUM (uma milícia pró-trotsquista que foi colocada na ilegalidade pelos comunistas espanhóis, supervisionados pela GPU de Stalin). As batalhas de rua travadas entre os socialistas e comunistas contra os anarquista e os integrantes do POUM (Partido Obrero de Unificación Marxista) foram por ele vivamente registradas nas páginas do seu Homage to Catalonia (Lutando na Espanha, pela tradução brasileira feita pela Editora Civilização Brasileira), escrito logo após a sua volta a Londres. Aquela absurda carnificina entre as esquerdas, que se tiroteavam e se ofendiam em frente a um inimigo comum, era o resultado da política stalinista. O ditador soviético, na época dos processos de Moscou, tinha transferido sua luta contra Trótski e outros oposicionistas, para dentro da guerra civil da Espanha. Como era ele quem abastecia os republicanos espanhóis com as armas e suprimentos com que lutavam contra Franco, ninguém pôde demovê-lo da intenção de exterminar com os dissidentes, ainda que, até aquele momento, lutassem ombro a ombro contra o inimigo comum.

Livros de um desiludido


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Abalado, Orwell, retornando à Grã-Bretanha, aos poucos arquitetou a vingança contra os comunistas. Primeiro foi a sátira Animal Farm (A revolução dos bichos), publicado em 1945, no qual, à moda de La Fontaine, que socorria-se de história de bichos para expor os homens, fez uma devastadora crítica ao regime soviético. Livrinho, diga-se, que correu o mundo alimentado pelas paixões acesas pela guerra fria. Em seguida, em 1949, um ano antes de morrer tuberculoso, editou o Nineteen Eigthy-Four ("1984"), o grande clássico da desilusão de um esquerdista com o comunismo.

A anti-utopia

Inspirado na pequena novela Nós de Eugênio Zamiatin, de 1920/1, escrita em plena União Soviética, Orwell, com recursos literários bem superiores, colocou o regime de Stalin sob execração universal.


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Construindo a docilidade pela medicina

Enquanto o ex-bolchevique Zamiatin, que foi o verdadeiro profeta da sociedade anti-utópica, chamou de benfeitor o ditador do seu Estado Uno, Orwell batizou-o de Big Brother. Era o Grande Irmão, que tudo via, tudo sabia e tudo previa, o invisível senhor de uma máquina política totalitária que movia guerra ao mundo e aos seus poucos opositores. Também recorreu a outro best-seller da distopia (isto é uma anti-utopia ou contra-utopia, que visualiza o futuro como um pesadelo), o Brave New World, o Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que descrevia o funcionamento de uma sociedade pavloviana inteiramente controlada por recursos biológicos e farmacêuticos, publicado em 1931.

Tendo o controle das comunicações, fazendo da televisão, omnipresente, o seu poderoso olho policial, o Grande Irmão dobrava todos à sua vontade. O lema do regime era Big Brother is Watching You, o Grande Irmão te vigia. Nada, portanto, lhe escapava. Invertendo a lógica do aparelho televisor, obrigatoriamente ligado, sem outras alternativas de programas, era por meio do tubo que ele controlava os cidadãos rebaixados a servos obedientes.


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Eugeni Zamiatin e Aldous Huxley, clássicos da anti-utopia

  



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