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As Condições da Democracia (Parte II)
As condições excepcionais dos Estados Unidos da América
Até que ponto o justo orgulho que os norte-americanos têm das suas instituições livres não derivou das excepcionais condições geográficas e históricas tão especiais em que o país deles se formou, sentindo-se protegido por dois oceanos e tendo como vizinhos apenas o Canadá e o México?
Enquanto o Kremlin de Moscou, por exemplo, viveu por séculos temendo naufragar frente as hordas dos mongóis vindos da ásia e, em seguida, ameaçado pelos exércitos ocidentais que não pararam de atacar a Rússia (invadida pelos suecos em 1709, por Napoleão em 1812, pelos anglo-franceses na Criméia em 1853-6, pelo Império Alemão em 1914, por uma coligação estrangeira em 1919-20, e por Hitler em 1941-44), os Estados Unidos, com exceção do chefe índio sioux Touro Sentado, desconheceram rivais sérios no domínio do Continente.
A falta de inimigos poderosos acampados próximos muito ajudou na solidificação da democracia entre eles, não precisaram nunca ter que recorrer à legislação de sítio ou apelar para um tirano messiânico como outros países o fizeram.
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O dia das eleições (tela de G.Caleb Bingham, 1851)
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Todavia, bastou eles se intimidarem pelos jihadistas suicidas da Al Qaeda, autores dos atentados de 11 de setembro de 2001, para que seus cidadãos aceitassem as limitações impostas aos seus direitos individuais pelos 215 artigos do Patriotic Act, aprovado em outubro daquele ano por larga maioria no Congresso. Em seguida, foi a vez da Federação Russa ceder à tentação autoritária, impondo restrições eleitorais. Aproveitando-se da tragédia da escola de Baslan, o então presidente V. Putin encaminhou projeto à Duma propondo a supressão da eleição para governador nos 84 estados-membros que hoje compõem a Federação. Estes são uns poucos exemplos que demonstram quão assustadiço é este regime da democracia.
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