Educação História por Voltaire Schilling Política
Boletim
Receba as novidades no seu e-mail!
Fale conosco
. Envie releases
. Mande críticas, dúvidas e sugestões
EducaRede
Entre no portal da escola pública
História - Política
POLÍTICA

A Formação do Pensamento Político de Hitler (Parte I)

Leia mais
A Formação do Pensamento Político de Hitler (Parte II)
 
Acostumou-se a pensar ter sido Adolf Hitler, morto em 1945, uma vergonha dentro da Civilização Ocidental e Cristã, espécie de excrescência política sem raízes na nossa tradição. A indução a esse tipo de erro deve-se em parte à conceituação de ser essa Civilização apresentada como um monopólio identificado com os princípios do humanismo, do liberalismo e da tolerância omitindo-se discretamente sua latência colonialista, racista e agressiva, que germinava na cultura ocidental.

Analises sobre Hitler

Hitler (pôster de 1932)
O papel de Adolf Hitler gerou uma bibliografia verdadeiramente pródiga e , em geral, de excelente nível; tais como as de Ernst Noite (Der Faschismus in seiner Epoche); a de Karl D. Bracher (Die deutsche Diktatur); a do historiador britânico Alan Bullock (Hitler: a study of a tirany) e o mais recente trabalho de Joachim Fest (Hitler) que anteriormente já se havia consagrado com a notável "Das Gesicht des Dritten Reiches". Devemos lembrar ainda o livro do professor J.P. Stern (Hitler: the Führer and the people) editado a pouco menos de sete anos, caracterizado pelo seu esforço de síntese e brilho intelectual. Merecendo um especial destaque a imensa obra de Ian Kershaw editada em dois tomos: Hitler, 1889-1936 Hubris ; Hitler, 1936-1945 Nemesis, aparecidas em 1998 e 2000.

Quase todos esses trabalhos foram sob o prisma da interpretação liberal ou social-democratica, corrente que até agora se mostraram mais ativas na sua tentativa de compreensão do nacional-socialismo. Deve-se igualmente alertar que a personalidade de Hitler tem sido minuciosamente averiguada pelos adeptos da psico-história. No entanto basta passar os olhos sobre esse tipo de literatura para se ficar em dúvida sobre a sanidade, não de Hitler, mas a de seus psico-interpretes.

Hitler segundo o marxismo

Não deixa de parecer estranho que até os nossos dias o pensamento marxista foi incapaz de produzir um trabalho clássico sobre o seu principal e formidável inimigo, aquele que desejava extermina-lo. A literatura marxista não tem sido feliz em suas análises demonstrando uma impotência teórica abrumadora: repetem ad nauseam os conhecidos ditos de ter sido Hitler o representante máximo da "ditadura do capital financeiro" ou o "tirano do capitalismo monopolista", terminando por reduzir o nazismo a um epifenômeno da economia, não apresentando nenhuma razão mais contundente para as massas germânicas terem aderido às suas propostas.

Por outro lado, essa impotência é reveladora porque de sua derrota nos anos vinte e trinta frente ao nazi- fascismo. Um esforço recente foi aquele realizado pelo neomarixista Nicos Poulantzas (Fascisme et Dictadure), mas que deixou muito a desejar na medida em que encontrou muito mais preso à metodologia estruturalista do que ao maior legado de Marx que foi a História.

O caminho prussiano

Otto von Bismarck, unificador da Almanha
Enquanto os jacobinos e girondinos franceses destroçavam as amarras do Ancien Regime através de um processo revolucionário que sepultou a nobreza feudal, aos intelectuais alemães coube realizar uma "revolução pelo espírito" que produziu apenas excelentes tratados filosóficos. Não está longe da verdade a imagem de terem os pensadores alemães se debruçado sobre as margens orientais do Reno e assistido embevecidos às façanhas irreverentes de seus vizinhos.

Alguns mantiveram esperanças que o "espírito da razão" atravessasse as braçadas o rio e emancipasse a nação alemã. Mas não foi o "espírito" e sim o Grande Exército napoleônico quem se apossou da nação alemã. Não foram os argumentos iluministas os mais convincentes, mas sim a artilharia francesa. Assim, na Alemanha, o liberalismo vinculou-se inarredavelmente ao exercito de ocupação - a algo estranho a ser rejeitado pelos "verdadeiros alemães". E quando se deu o desabamento do império napoleônico, a vitória coube às forças conservadoras feudais da Santa Aliança, coligação tradicionalista e aristocrática que continuou a gozar de prestigio junto à população alemã.

Na medida em que se considerava impotente para derrubar o poderoso Estado militar-feudal prussiano sediado em Berlim, a burguesia alemã resignou-se, escolhendo a capitulação. Ainda em 1848/9, na chamada Revolta dos Poetas, tentaram inutilmente impor suas diretrizes, mas fracassaram. O medo que o populacho pudesse avançar politicamente, refreou-lhe o desejo de emancipação. Deste modo, frustrada a solução liberal , só restou ao capitão da progressista região do Reno seguir o junker, o guerreiro feudale capitão das armas do exército prussiano. O resultado disso foi a ascensão do II Reich fundado por Otto von Bismarck, o estadista prusssiano que consolidou o poder autoritário sobre o restante da Alemanha.

     próxima página
Veja todos os artigos | Voltar
 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2007,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central do Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade