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POLÍTICA

Por um mundo pós-americano (parte II)

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» Por um mundo pós-americano
» Por um mundo pós-americano (parte III)
 
Ao contrário das aparências, os Estados Unidos já não ditam suas ordens ao mundo. De fato, os últimos acontecimentos indicam o surgimento de um outro mundo, um mundo no qual a hiperpotência americana já não consegue mais impor sua vontade. Essa é a posição, marcadamente polêmica, do cientista político e historiador econômico Immanuel Wallerstein.

Em busca da Liderança Forte

Por conseguinte, a política das últimas administrações norte-americanas, especialmente a executada pelo Presidente Bush, visa não somente atenuar a perda crescente da hegemonia, que até faz bem pouco tempo era exercida sobre a maior parte do planeta, como recuperar integralmente a posição perdida. E porque ocorrera tal declínio? Segundo os principais assessores da Casa Branca, o grupo de intelectuais chamados de neocons (neoconservadores), isso se deveu à falta de pulso dos presidentes anteriores, extremamente condescendentes com os desafios que foram feitos à autoridade deles. Agem eles assim com intento restauracionista.

O que os Estados Unidos precisam acima de tudo, dizem, é uma Liderança Forte o suficiente para recuperar sua posição hegemônica. Um comando decidido, enérgico, que não mostre hesitação na consecução dos seus objetivos estratégicos, que o obrigaram anteriormente a transformar nações até então dependentes deles em novos aliados, como foi o caso da Europa Ocidental e dos Tigres Asiáticos.

Muito menos aceitar os Tratados Internacionais, como o Protocolo de Kyoto, de 1997, que visa a luta contra a poluição, a preservação do clima e de outras condições ambientais, que, segundo o presidente, tentem inibir o bom desempenho da economia dos Estrados Unidos prejudicando de algum modo o american way of life.

Para o presidente Bush os Estados Unidos são imbatíveis, uma hiper-potência que não deve favores a ninguém nem pedir licença às instituições internacionais como a ONU ao agir em função da sua segurança e dos seus cidadãos.

Entre outras medidas, além de chefiar o G-7 (o Grupo dos Sete, criado pela França, em 1976, composto pelos países mais ricos do mundo: EUA, Canadá, Japão, Alemanha,França, Grã-Bretanha e Itália) capitaneiam uma aberta campanha para não perderem o seu quase monopólio sobre as armas nucleares até agora existentes (o que explica a pressão exercida sobre a Coréia do Norte e sobre o Irã).

Como complemento dessa política restauracionista, um tanto que retomando a animosidade da época da Guerra Fria, crescentemente se indispõem contra a Federação Russa, plantando nas proximidades da fronteira dela, na Polônia, na República Tcheca, e até na distante Geórgia, mísseis ou radares que o governo do Kremlin, com todos os motivos,considera agressivo ao seu país.

Resultados da Guerra do Iraque

Além de estar praticamente num atoleiro, com seu prestígio político e militar desgastado pela situação do Iraque, invadido em 2003, o atual governo republicano deixou os Estados Unidos exposto ao fato de que não só não pode vencer a guerra como não tem quadros militares suficientes, oficiais e praças, para fazer alguma outra intervenção armada se for necessário. Um dos motivos disso é o fato de ter sido abolida a conscrição militar obrigatória em 1973, o que limita o contingente de tropas à disposição do governo.

Ainda que o país possa contar com quase 55 milhões de homens aptos a pegarem em armas (dos 18 aos 49 anos de idade), atualmente as Forças Armadas norte-americanas dispõem somente de 1,4 milhões de soldados, recrutados pelo processo voluntário (de certo modo as forças norte-americanos cumprem um destino igual ao das legiões romanas, que por igual começaram com soldados cidadãos e terminaram compostas por profissionais ou por mercenários). Tudo isso desmente a doutrina da unipolaridade adotada pela administração Bush e abre caminho efetivo para uma efetiva multipolaridade, situação que ela teima em não aceitar nem reconhecer.

Fases do poder Norte-Americano

O aumento dos mortos norte-americanos
Período - entre 1945- 1975
Situação de Poder - Hegemonia absoluta dos EUA. Controle sobre 2/3 do planeta.
Descrição - Plano Marshall, apogeu do Banco Mundial e do FMI

Período - entre 1975 - 2002
Situação de Poder - Declínio do poder norte-americano após guerra do Vietnã. Época da multipolaridade.
Descrição - Recuperação econômica da Europa (formação da União Européia) e do Japão. Novos países emergentes (BRIC) e Tigres Asiáticos

Período - pós-2002
Situação de Poder - Movimento Restauracionista do governo Bush visando a retomada da unipolaridade.
Descrição - Política da Guerra Preventiva: invasão do Afeganistão e do Iraque. Tensão maior com Irã e indisposição com a Rússia.

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