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Fukuyama e os Estados fracassados
O interessante da produção da literatura política norte-americana mais recente é como ela, crescentemente, reflete o predomínio de uma ideologia colonialista ou neocolonialista. O intervencionismo em escala mundial tem sido cada vez mais cultivado entre os seus quadros políticos e intelectuais. Os acontecimentos do Onze de Setembro de 2001, quando se deu o ataque dos suicidas muçulmanos à Nova York e a Washington, acelerou ainda mais a tendência que já se verificava desde os começos da Guerra Fria, segundo a qual os Estados Unidos são a nova Roma e que, portanto devem assumir na totalidade suas responsabilidades imperiais em escala mundial. Um exemplo disso, do pensamento intervencionista, é o livro "Construção de Estados" de Francis Fukuyama, lançado nos Estados Unidos em 2004.
As novas ameaças ao mundo
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F. Fukuyama e os estados fracassados
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"O problema do estado falido, que anteriormente era visto... como uma questão humanitária... assumiu, de um momento para o outro, uma importante dimensão de segurança." Francis Fukuyama- Construção de Estados, 2004. Pasmem-se. As maiores ameaças à paz mundial e à segurança da comunidade internacional, pelo menos no transcorrer das primeiras décadas do século 21, advirão não das grandes potências atômicas, mas sim dos assim ditos Estados Fracassados. Esta é a opinião defendida por Francis Fukuyama, o célebre cientista político nipo-americano, ex-funcionário da Rand Corporation (empresa que presta serviços ao Pentágono), que ficou famoso há mais de uma década atrás com a tese do "fim da história" (com o colapso do comunismo a democracia liberal não tinha mais inimigos pela frente, encerrando-se assim a concepção hegeliana-marxista da história que entendia tudo como resultante do conflito dos contrários). Para ele, a desordem do mundo provém de nações do Terceiro Mundo cujo estado, quando ele ainda existe, é incapaz de exercer a soberania e autoridade sobre o seu próprio território. Portanto, merecem ser classificadas de Weak States ou Estados Fracassados - nada mais são senão que fantasias virtuais que só existem no mapa mas não na realidade. Exatamente por serem inoperantes, as autoridades locais estão impedidas de estabelecer o mínimo controle sobre o que se passa dentro das suas fronteiras. O resultado disso, da impotência deles, da ausência absoluta de instituições sólidas capazes de impor com eficácia a lei e a ordem, é que terminam por servir como abrigo de grupos terroristas com possível acesso às ADM (Armas de Destruição em Massa) e também como passagem de contrabando de armas e de drogas. Quando não, em caso de guerra civil intermitente, em exportadores de levas de refugiados que se deslocam para outros países espalhando assim mais confusão e desordem.
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