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História - Política
POLÍTICA

O cidadão do mundo

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O cidadão do mundo
» Introdução
» O vassalo e o súdito
 
Com a chegada do novo século, acompanhada de uma espantosa integração e interdependência econômica, aceleram-se as expectativas de que no futuro possamos vir a constituir um novo tipo de cidadania, inédito na história da humanidade – a do cidadão-mundo. Ela possibilitará estender a toda humanidade um conjunto de direitos e deveres que hoje estão circunscritas em sua maior partes apenas aos que vivem no Primeiro Mundo.

"É impossível inteirar-se o homem [ da totalidade da humanidade] por meio de histórias particulares (...), pelo qual devemos estar convencidos de que a história particular conduz a bem pouco entendimento e a bem pouco crédito da história universal" Políbio – Histories, séc. II a.C.

A cidadania ideal

Caracala (188 – 217)
saudável era melhor exercida num espaço reduzido, numa comunidade de uns 6 mil indivíduos. Todos nela se conheciam, todos nela se respeitavam. Os demais gregos não divergiam muito sobre essas dimensões ideais. Muitos deles, como Protágoras e Platão, por exemplo, foram convidados à planejarem a instalação de novas sociedades em diversos lugares do Mediterrâneo na época da expansão helênica, e seguramente tratavam-se de pequenas colônias. Elaboravam, para tanto, desde o traçado das ruas até a nova constituição a ser adotada na recém fundada polis – a cidade-estado grega.

Por mais que os gregos construíssem sistemas filosóficos grandiosos, e seguramente o de Platão o foi, eles estavam sempre limitados pelo mundo material acanhado em que viviam. Havia uma desproporção entre a magnitude das concepções metafísicas e físicas deles – o “Cosmos” de Aristóteles é prova disso – que abarcavam o universo inteiro, e a modéstia da cidadezinha ou academias em que, em geral, viviam (um número significativo de pensadores gregos vinha de lugarejos).

A cidadania romana

Deu-se a Políbio - um historiador grego que fora levado em 168 a.C. pelos romanos como troféu de guerra - a oportunidade de perceber a existência de um universo político bem mais amplo do que as muralhas em que se espremiam as poléis gregas. O espaço criado pelo domínio romano abarcava (ele mesmo, ao tornar-se amigo de Cipião Emiliano, conheceu a Gália e a Líbia, além de assistir a queda final de Cartago em 146 a.C.) “toda a redondês da terra”, elevando o seu poder “a tal altura que nós no presente invejamos e aqueles que irão de vir jamais os irão superar”. A autoridade dele, de fato, perdia-se no horizonte, levando-o a crer que a regência dos cônsules e do Senado Romano abarcava o mundo por inteiro.

Coube, pois, aos romanos - especialmente após o Constitutio Antoniniana de Civitate, o Édito de Caracala, do ano de 212 - criar pela primeira vez a cidadania universal (que, em verdade, abrangia só os homens livres do Império), sendo-lhe indiferente o local do nascimento das pessoas. De certo modo foi essa idéia romana, ampla, generosa, de criação de uma fraternidade multicultural e étnica sob o seu domínio, que pavimentou a vitória da Igreja Cristã. Fazendo apenas com que, depois, no trono de Roma, o imperador fosse sucedido pelo papa, e que a Republica Romana desse lugar à Comunidade Cristã.

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