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Maquiavel, Hobbes, e o estado forte

Maquiavel e Hobbes, filósofos do estado forte
Distanciados por mais ou menos um século e meio um do outro, foram publicados dois tratados clássicos da ciência política: um na Itália e o outro na Inglaterra. Um intitulo-se “ O Príncipe”, de 1513, de autoria do escritor florentino Nicolau Maquiavel e o outro chamou-se “ O Leviatã”, de 1650, do pensador britânico Thomas Hobbes. Vivia-se na época da afirmação da monarquia absolutista, período conturbado onde as forças feudais e populares acirravam a disputa pelo controle sobre as monarquias nacionais, gerando permanente instabilidade, daí ambos defenderem, de maneiras diversas, o reforçamento do poder do estado.

Monarquias e repúblicas

Dante e a Comédia, a Itália era um caos
A Itália dos séculos XV-XVI, na época de Maquiavel (1469-1527), era uma colcha de retalhos onde uma série de cidades-livres como Milão, Veneza, Gênova, Florença, etc. . conviviam com os Estados Pontifícios controlados diretamente pela Igreja. Também foi palco de uma série de invasões estrangeiras que se deram a partir de 1494, ocorrendo até o terrível saque de Roma feito em 1527 por tropas do imperador Carlos V. Internamente, a península italiana estava dividida em principados seculares e religiosos, em várias tiranias e em regimes republicanos comunais-populares, além da histórica rivalidade entre Guelfos e Gibelinos. No resto da Europa, entretanto, formavam-se monarquias-nacionais poderosas, nas quais os reis, ao contrário do que se passava na Itália, concentravam cada vez mais poder e autoridade, sobrepondo-se à alta nobreza e à influência da Igreja. Havia, pois, múltiplos poderes: o da Igreja Católica, o dos nobres, o das cidades-livres, o dos tiranos, e o dos reis estrangeiros, contribuindo isto tudo para um clima de dilaceramento e perturbação geral, fazendo com que tal situação trouxesse muitos padecimentos à Itália. É de supor-se que a longa descrição que Dante fez do Inferno na sua Comédia ( aparecida entre 1313-1316) tenha sido resultado do seu desgosto com a situação em que sua amada península se encontrava.

Quem deve fazer a Política?

Para Maquiavel as coisas da política não eram da esfera da Igreja, que devia limitar-se aos assuntos da República dos Céu, nem das Comunas, mas sim do Príncipe. Qualquer um que fosse– aventureiro ou hereditário – que assumisse controle do Estado e exercesse o poder em seu nome. Ele deve reunir para tal uma série de condições, tal como concentrar em si a astúcia da raposa e a coragem do leão, inclusive ser dissimulado e perjuro se a segurança do estado assim o exigir. E deve eliminar, sem contemplação ou hesitação, tudo aquilo que possa ameaçá-la, preferindo ser temido do que amado, pois ele sempre tem em conta a volubilidade humana. O príncipe não hesitará em recorrer ao crime se for necessário, mas deve "abster-se dos bens alheios, posto que os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio" ("O Príncipe", cap. XVII). A sua política deve orientar-se sempre pelos critérios da eficiência, daquilo que se chama de pragmatismo: "Procure, pois, um príncipe, vencer e manter o Estado: os meios serão sempre honrosos e por todos louvados, porque o vulgo sempre se deixa levar pelas aparências e pelos resultados ... ( "O Príncipe", cap. XVIII). Salienta-se que essa apologia ao Estado forte e concentrado nas mãos do príncipe devia-se a Maquiavel ver nele a única forma de afastar a influência das monarquias estrangeiras, "os bárbaros", dos assuntos internos da Itália, devastada pela intriga e por guerras intestinais sem-fim.

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