BUSCA + enter






Maquiavel, Hobbes e o estado forte - A Inglaterra convulsionada

Oliver Cromwell, o ditador inglês
Thomas Hobbes (1588-1679) era um intelectual monarquista convicto que foi obrigado a exilar-se na Holanda durante a Revolução Puritana, ocorrida na Inglaterra entre 1642-1658, liderada por Oliver Cromwell. O Rei Carlos I havia sido preso pelos revolucionários e submetido a um tribunal parlamentar que o condenou à morte em 1649. Durante este tempo todo a nação inglesa viveu uma intensa convulsão social e política com várias facções brigando entre si pelo controle político da revolução. Finalmente Oliver Cromwell, o homem forte do novo regime, submetendo as facções, com o título de Lord Protector, inaugurou a chamada Commonwealth, a república, submetendo o parlamento a uma ditadura que durou até sua morte. Os seus seguidores ,entretanto, pouco puderam fazer quando, pouco tempo depois, o general. Monck restabeleceu a monarquia fazendo com que o príncipe Carlos, exilado na França, retornasse à Inglaterra para ser coroado como Carlos II.

O Leviatã

Para Hobbes, na sua obra magna "O Leviatã", de 1650, é claro que a única autoridade existente num reino devia ser a do rei, do monarca absolutista. A razão disto deriva da visão que ele tinha da sociedade. Hobbes entendia-a sempre ameaçada de se ver mergulhada numa permanente guerra civil, onde todos os seus integrantes facilmente resvalavam para uma guerra de um contra todos e de todos entre si. O estado da natureza segundo ele, que muitos outros pensadores imaginavam idílico, não tinha nada de harmonioso. O mundo antigo dos primeiros homens era um mundo de feras, onde "o verdadeiro lobo do homem era o próprio homem". Para transcendê-lo, superando a bestialidade primitiva, e chegar a uma sociedade civil era necessário que todos, por meio de um contrato social, concordassem em transferir as suas liberdades naturais a um só homem: o Rei. Somente ele, a figura coroada, é quem deteria o monopólio da violência. Este monarca deve ter poderes completos que permitam-lhe impor sua vontade sobre todos para o bem geral da comunidade. Não existe, sob seu ponto de vista, nem direito à propriedade, nem à vida, nem à liberdade, que não sejam garantidos diretamente pela autoridade real. Assim, no entendimento de Hobbes, rebelar-se contra ela, contra a autoridade absoluta do soberano, significa regredir ao reino animal da natureza, onde impera sempre a violência aberta, onde as regras zoológicas sobrepõem-se às humanas. O rebelde, portanto, ao injuriar e levantar as armas contra o rei, ofende não só a majestade do poder, mas põe em risco as próprias conquistas da civilização.

página anterior     



 ÍNDICE DE POLÍTICA





 
 » Conheça o Terra em outros países Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2003,Terra Networks, S.A Proibida sua reprodução total ou parcial
  Anuncie  | Assine | Central de Assinante | Clube Terra | Fale com o Terra | Aviso Legal | Política de Privacidade