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A guerra russo-afegã

A intenção de neutralizar a potencialidade revolucionária do fundamentalismo islâmico, despertado pela Revolução Iraniana de 1979, também foi a preocupação da União Soviética quando o Politburo em Moscou ordenou que suas tropas transpusessem a fronteira afegã para dar apoio ao regime pró-comunista de Cabul. Ao contrário do que imaginaram, a presença soviética incitou uma rebelião generalizada entre as tribos e facções afegãs. As sete principais delas uniram o seu esforço em fazer com que em cada vale do Afeganistão fosse preparada uma emboscada aos invasores, e que atrás de cada pedra um tiro certeiro poderia abater um soldado russo. A situação deles melhorou ainda mais quando a Jihad foi proclamada. Milhares de combatentes, vindos de diversas partes do Islã, atravessando a fronteira do Paquistão, apresentaram-se para, embalados atrás de um fuzil Kalichnikov e empunhando um lança-míssil portátil Steiger norte-americano, fazer os russos arrependerem-se amargamente de terem cruzado a fronteira, violando um país muçulmano. Dinheiro não lhes faltou. Recursos americanos juntaram-se aos da Arábia Saudita e dos Emirados árabes, além do que fora coletado pela diligência de Osama Bin Laden entre as fortunas privadas do Oriente Médio. Em abril de 1988, a União Soviética, impotente em deter os mujadhins, depois de ter perdido 15 mil homens nas incontáveis armadilhas que lhes prepararam, ordenou que suas tropas se retirassem do Afeganistão.

O papel do Afeganistão


reprodução

Celebrando a vitória

Dez anos depois da Revolução Iraniana, uma nova vitória sacudiu o mundo islâmico. Desta vez não foi contra o desgastado exército iraniano, mas contra o poderoso Exército Vermelho, até então uma das mais eficazes máquinas de guerra do século 20. Entre os heróis dessa vitória impensável, emergiu a figura de Ahmed Shah Massoud, o "Leão do Panjshir". As conseqüências psicológicas disso foram incalculáveis. Para as massas islâmicas pareceu-lhes que Alá, depois de grande ausência, voltara para empunhar a espada do Profeta contra os infiéis e contra os hereges. A fronteira do Paquistão com o Afeganistão tornou-se então um forja de mujadhins, de guerreiros islâmicos dispostos a tudo. Kabul tornou-se assim a capital do fundamentalismo sunita, tendo no pouco conhecido Mullah Mohammed Omar, nascido em 1959, o seu mentor político e espiritual, surgindo no cenário do islamismo radical como uma espécie de Imã oculto, aquele que poucos enxergam, mas a quem todos obedecem.

Os campos do Afeganistão


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Osama Bin Laden

Em campos especiais, mantidos com os mais diversos tipos de recursos, foram treinados milhares de combatentes, que depois foram expedidos para os mais variados destinos. Alguns dirigiram-se para a Bósnia indo ajudar os muçulmanos locais, enquanto um número significativo deles misturou-se à guerrilha da Chechênia na primeira guerra que eclodiu no Cáucaso, em 1994-6, para lutar contra as tropas da Federação Russa. Outros ainda infiltraram-se pela fronteira do Caxemira para pôr em fuga os indianos e assolar suas guarnições militares. Neste amplo raio de combates, os norte-americanos conheceram uma guerra especial. Não aquela travada pelos guerreiros islâmicos na Bósnia, na Chechênia, no Daguistão ou na Caxemira, mas a que se manifestou através de uma série de atentados seletivos, organizados pelo Al Qaeda (A base) de Bin Laden, visando claramente

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Mullah Mohammed Omar, líder do talibã

objetivos militares e diplomáticos. Portanto, fica evidente que os mujadhins, tendo apenas o apoio do regime talibã do Afeganistão, a neutralidade um tanto cúmplice do Irã, e o oscilante apoio estratégico do Paquistão, declararam guerra às potências do mundo: à Rússia, aos Estados Unidos e à Índia.

 

Leia mais:
» Especial O Fundamentalismo e Nova York

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