O vice-reino pega fogo
A partir de este día, los españoles no banquetearán en su pobreza!
Túpac Amaru
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Túpac Amaru II (1738-1781)
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No dia quatro de novembro de 1780, logo em seguida ao almoço no qual se celebrava o dia do aniversário do rei da Espanha, Túpac Amaru prendeu o corregedor Arriaga. Seis dias depois, enforcou-o com grande alarde na praça central de Tungasuca, a sua cidadela. A notícia da execução do corregedor por um cacique inca provocou uma onda de rebeldia que se estendeu até Jujui, no vice-reinado de Buenos Aires. José Gabriel derrotou um exército de corregedores em Sangara (quase 600 soldados foram queimados numa igreja local), mas perdeu tempo precioso ao desviar-se para o Sul do Peru, não rumando logo para a capital, para aproveitar-se do efeito surpresa. Para ampliar sua base revolucionária anunciou, em 16 de novembro de 1780, o Bando pela Libertação dos Escravos, talvez o primeiro documento do gênero na história latino-americana. Ao seu exército de índios incorporaram-se os negros e os zambos (mestiços de negros e índios) e até alguns brancos descontentes, formando um bloco indígena-crioulo.
A Restauração do Tahuantinsuyo
Conforme a rebelião assumiu um cunho revolucionário, Túpac Amaru abandonou o fidelismo e proclamou-se separatista. Não tinha mais por quê manter-se como um súdito indignado com os funcionários do rei. Chegou a proclamar-se José I, apresentando aos seus o rei espanhol como um usurpador. Tratou então de restaurar o antigo Reino das Quatro Partes (
Tahuantinsuyo), o Império Inca, do qual ele considerava-se legítimo herdeiro. Para o índio comum (
llacta runa) era acenado o retorno ao
ayllu, ao antigo clã comunal, do qual havia sido separado desde a invasão espanhola. Para muitos que aderiram ao levante seria o fim do trabalho esgotante nas minas.
Derrota e Martírio
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Dona Micaela, mulher de Túpac Amaru
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Durante oito dias, de dois a dez de janeiro de 1781, as forças de Túpac Amaru tentaram tomar Cuzco, a antiga capital sagrada do Inca, posta a sítio, mas fracassaram. O cacique rebelado então recuou. As cinco colunas militares do visitador Areche e do marechal José del Valle partem então de Cuzco atrás de Túpac Amaru. Depois de uma batalha de 70 horas, onde é derrotado, o cacique se refugia no povoado de Langui, terminando por ser capturado à traição pelo mestiço Francisco Santa Cruz e entregue às autoridades. No dia 18 de abril de 1781 terminou seus dias supliciado em Cuzco.
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Igreja de Azancaro, onde foi executado Vilca Apaza, general de Túpac Amaru
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A execução de Túpac Amaru II foi um ato bárbaro do despotismo ibérico. Primeiro amarraram-lhe as extremidades em quatro cavalos. Ao estendê-lo o seu corpo retesou-se no ar mas não se estraçalhou.. O visitador Areche ordenou então que o decapitassem e o esquartejassem, sendo que os pedaços foram enviados para os quatro cantos do vice-reino como uma advertência. Não satisfeitos com isso (apesar de Túpac Amaru ter assumido sozinho a responsabilidade da revolta), mataram pelo garrote sua mulher, dona Micaela, e enforcaram seu filho mais velho e outros parentes, na praça Huacaipata, a mais importante de Cuzco. A luta dos incas rebelados ainda prosseguiu por mais dois anos até que o último integrante da família aceitou uma trégua, sendo também morto à traição. O impacto da revolta fez com que as autoridades iniciassem uma série de reformas, entre elas a abolição do direito ao reparto da parte dos corregedores, cujo cargo finalmente foi suprimido.
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Bibliografia
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