A Conquista do Peru
A lenda peruana diz que o primeiro inca teria sido o lendário Manco Cápac (que significa grande ou poderoso). O apogeu do império, segundo o historiador mestiço Garsilaso de la Vega,
el Inca (
Comentarios reales, 1604), teria ocorrido entre 1435 - 1471, no reinado de Pachacútec. Sabedor da existência de um poderoso e rico império mais ao sul do Panamá, o aventureiro espanhol Francisco Pizarro, um soldado rude e analfabeto, e seu companheiro Diogo de Almagro, navegaram pelo Oceano Pacífico em direção ao sul. Almagro foi para Quito e depois para ao Chile. Pizarro, com seus irmãos Hernando, Gonzalo e Juan, desembarcou em São Miguel, ao norte do Peru, em 1532. Dali, com 180 homens e 27 cavalos, imitando a coragem de Cortez no México dos astecas, marchou para o interior onde contatou com Atahualpa, o príncipe inca. A pretexto de um encontro diplomático, conseguiu atraí-lo para a praça da cidade de Cajamarca.
Um Crime Inominável
Após a chegada de Atahualpa, acompanhado da sua enorme comitiva real, foi-lhe apresentada uma bíblia para que se convertesse ao cristianismo e aceitasse ser vassalo do rei da Espanha. Atahulapa, evidente, rejeitou. Pizarro então deu o sinal para que seus soldados atacassem a comitiva real. Naquele dia terrível, o 16 de novembro de 1532, tinha início a liquidação de uma das mais antigas culturas da América pré-colombiana, além de ser um dos atos mais criminosos da história do continente. Atacados pela cavalaria de espada desembainhada e pelos besteiros e arcabuzeiros que se espalhavam pelos altos da praça, praticamente todos os índios foram mortos. O chefe inca, sobrevivente, foi confinado como prisioneiro. Pizarro mandou um mensageiros exigindo dos nativos muito ouro para deixar a sua presa livre.
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Ataque à liteira-trono de Atahualpa (Cajamarca)
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A Briga dos Irmãos Incas
Credita-se a facilidade da conquista do Peru feita pelos espanhóis ao fato dos incas encontrarem-se divididos. Não só Atahualpa (príncipe de Quito) estava em litígio aberto contra o seu irmão Huáscar (príncipe de Cuzco), como havia muita discórdia entre outros povos submetidos a eles. Com a invasão estrangeira as demais nações e tribos indígenas aproveitaram-se para aliar-se aos espanhóis contra os seus antigos senhores, facilitando-lhes a ocupação da maior parte do território peruano. Em 1533, Francisco Pizarro (nomeado por Carlos V, capitão-geral da Nova Castela e adelantado), cumprida uma marcha forçada pelos Andes, entrou em Qosqo, (Cuzco em espanhol), a capital inca (cidade fundada no ano de 1100, lugar sagrado do templo do Sol, sede do poder e centro de peregrinação religiosa).
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Pizarro na marcha pela conquista do Peru
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Extorsão e Execução
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O ouro inca enlouqueceu o invasor
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Antes disso, Pizarro, que extorquira dos indígenas quatro milhões e meio de ducados de ouro em troca da libertação de Atahualpa, ordenou a execução na fogueira do chefe inca. Mais tarde, visto a hediondez do seu ato, Pizarro atribuiu aquele assassinato ao padre Valverde, o que pouco lhe serviu. Desde então o nome dele associou-se à perfídia, um homem a quem ninguém mais poderia confiar na palavra dada. Seja o que for nada o impediu de continuar pilhando toda a imensa riqueza em ouro e prata que encontrou pela frente. No gesto de capturar e mandar incinerar a Atahualpa, Pizarro se inspirara no que outro notório capitão da conquista fizera no México. Cortez, como se sabe, também executou o chefe asteca Montezuma, porque os capitães espanhóis logo perceberam que naquela estrutura de poder absurdamente verticalista, bastava decepar a cabeça para que os membros do corpo imediatamente se paralisassem.
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Bibliografia
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