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Kosovo Socialista


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Hoxa, na época da guerra anti-nazista

Pouco lhes serviu a baixeza e as atrocidades. Em 1945, os guerrilheiros comunistas de Tito expulsaram os nazi-fascistas, reintegrando-a como província autônoma (pokrajina) na República Socialista Federativa da Iugoslávia. Como os comunistas de Enver Hoxa tomaram também o poder na vizinha Albânia, os kosovares, fossem slavas ou valsh, respiraram aliviados. Imaginaram que por serem ambos governos da mesma fé , obedientes à ideologia marxista-leninista, a pequena região fronteiriça teria descanso. Frustaram-se. Em 1948, Stalin denunciou Tito como um nacionalista pequeno-burguês, hostil à URSS, enquanto o albanês Hoxa, ao contrário, aferrou-se a Moscou.

A Revolta Albanesa


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Ibrahim Rugova, líder albanês-kosovar

Com o desmantelamento da Iugoslávia comunista a partir de 1989, os albaneses de Kosovo, amplamente majoritários (formam 90% da população de 2,1 milhões de habitantes), a exemplo dos eslovênios, dos croatas e dos bósnios muçulmanos, resolveram também proclamar-se independentes, lançando mão do movimento guerrilheiro do UCK (Exército de Libertação de Kosovo). Ninguém os reconheceu na Europa. Kosovo então mergulhou na guerra civil, na qual a população albanesa foi duramente atingida pela repressão sérvia (estima-se o número dos mortos entre dois a dez mil). Dusan Batakovic, um historiador sérvio da nova geração, defendia, antes da ocupação da província pelas tropas da Otan, no The Kosovo Chronicles, como solução intermediária e distensionante, a cantonização de Kosovo. Ainda que pertecente à Sérvia, ela adotaria o modelo suíço com cinco cantões rurais, havendo um governo misto servo-albanês nas cidades maiores. Durando uns quinze ou vinte anos tal alternativa, acreditou ele, otimista, o sangue esfriaria e a geração futura, distanciada das recentes crueldades, haveria de agir com bom senso. Quer dizer, até a próxima guerra balcânica. No presente, porém, Kosovo acha-se ocupada por tropas do Kfor, desde que Milosevic, quando ainda era presidente da Federação da Iugoslávia (a união da Sérvia com o Montenegro), depois de ter sido submetido a 72 dias de bombardeio aéreo, concordou, em 20 de junho de 1999, em retirar as tropas sérvias da região.

Ironia


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No modernismo sérvio, a dilaceração da Iugoslávia

O pretexto da intervenção da Otan em Kosovo era evitar que os sérvios comandados por Milosevic orquestrassem uma limpeza étnica, expulsando todos os albaneses da província separatista. A presença militar dos sérvios aumentara desde 1986, quando começaram as primeiras agressões violentas dos albaneses sobre os sérvios kosovares, amplamente minoritários na província. A supressão da autonomia dos albaneses, determinada pelo parlamento iugoslavo em 1986, deu-se exatamente por esse motivo. Agora, apoiados pela tropa de ocupação da Otan, os albaneses estão mais ou menos livres para poderem expulsar os sérvios kosovares dos seus lares, retomando assim as perseguições que eles haviam desencadeado desde 1986. As tropas da Kfor, que vieram para garantir a não perseguição aos albaneses, terminaram sendo, mesmo sem o desejar, a avalista da exclusão dos sérvios kosovares, atacados sem trégua pelos albaneses. Não só isso, a sua presença militar contribuiu para que os albaneses se sentissem suficientemente fortes para irem atacar, com operações de guerrilha, a vizinha Macedônia, alastrando a guerra para mais ao sul dos Bálcãs.

Leia mais:
Iugoslávia, a Destruição de uma Nação

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