A Sérvia e Kosovo
A mídia ocidental difundiu a imagem de que a Sérvia invadiu a província de Kosovo, realizando por conseguinte um ato de agressão contra a população local. Ocorre que Kosovo sempre pertenceu à Sérvia, sendo um lugar sagrado para os de fé cristã-ortodoxa, com grande força simbólica para a maioria dos iugoslavos. Não se tratou, pois, de uma invasão estrangeira seguida de ocupação militar, mas sim de uma guerra civil travada entre o governo central e uma província separatista.
A Derrota dos Sérvios
"Hoje a realidade é certamente cruel. Não se consegue passar quatro anos sem guerras nos Bálcãs. E o pior de tudo é que ninguém prevê quando os conflitos irão cessar"
Hugo Roth - Kosovo Origins, 1998
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A batalha de Kosovo, 1389
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No monastério sérvio de Visoki Decani, em Kosovo, uma vez por semana ocorre um ritual bizarro. Reunidos em frente ao sarcófago do czar Stefan Dekanski, o seu santo padroeiro, os monges cristãos ortodoxos abrem-lhe a tampa. Ao tempo das preces, dizem eles, os sagrados ossos espalham um incrível perfume de rosas. Obedecem, com essa magia branca, a uma liturgia praticada desde o século 14 para que os restos ilustres lhes inspirem, mediunicamente suponho, como agir na temeridade.
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Uma cena de batalha na antiga Kosovo
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Pelo infeliz retrospecto histórico daquela região da Iugoslávia, quase sempre submersa em tempestades de espadas e tiros, melhor fosse deixarem-nos, os ossos, sempre a descoberto. Kosovo (do pássaro "kos", melro), centro político e religioso do Estado sérvio no medievo, quase nunca soube o que é liberdade. Em 1389, por exemplo, Lazar, um dos seus príncipes, sofreu ali tamanha derrota frente aos turcos otomanos que marcou o início do longo avassalamento do seu povo, obrigado ao tributo fixo e ao serviço militar. Desconfiados da fidelidade deles, dos
slavas, os sultões resolveram, durante seu opressivo domínio de cinco séculos, povoá-la com os
valsh, albaneses convertidos ao islamismo.
A Jerusalém dos Sérvios
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Ícone de Cristo no mosteiro de Decani e um ícone moderno
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Nada porém arrefeceu a determinação dos sérvios em manterem-se nela. Entre outras razões porque Kosovo, bem antes da ocupação turca, era motivo de peregrinação aos seus santuários e relicários, onde os belos mosteiros de Raska-Priznen, Granica, e tanto outros, fizeram-na não só a Lourdes, como a Jerusalém deles.
Os sérvios somente retomaram o controle sobre ela nas guerras antiturcas de 1912, quando a Sublime Porta Otomana declinava. Oficialmente, ela tornou-se província do Reino da Iugoslávia depois de 1918, não sem antes o exército sérvio sufocar uma rebelião dos albaneses, insatisfeitos com seu status subalterno. A hora da vingança destes soou quando Mussolini ocupou a Albânia, em 1940. A Balli Combetar, agrupamento de albaneses fascistas, atiçados, desforraram-se nos sérvios de Kosovo.
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