|
II Guerra Mundial - O isolamento da Inglaterra
A situação da Inglaterra nos anos 40/41 era de quase total isolamento. Sua poderosa esquadra, havia dissuadido Hitler de invadi-la, levando-o a adotar a estratégia da Guerra aérea e submarina. H. Güring, supremo comandante da Luftwaffe foi responsável pelas operações de bombardeamento de Londres e outras cidades industriais. Inicialmente procuraram atingir alvos estratégicos, mas a situação evoluiu para um bombardeio indiscriminado da população civil (Conventry). As bases alemãs estavam assentadas nos Países Baixos e na França conquistada. Um invento, do qual somente os ingleses tinham o monopólio, - o radar - muito os auxiliou na luta contra a avaliação alemã. Ao deixarem de bombardear os alvos estratégicos (industriais e aeródromos) os alemães propiciaram a que a RAF se recuperasse, passando a infringir pesadas perdas aos seus aviões. Em 1940, a Luftwaffe perdeu 1.733 aparelhos, tendo cada vez mais dificuldades em obter pilotos adestrados. A situação da Inglaterra conhece verdadeiro alívio, quando Hitler resolve invadir a União Soviética em junho de 1941, sendo obrigado a desviar o esforço de guerra para o fronte Oriental. Mesmo assim, nestes dois anos críticos, a Inglaterra vê cair sobre suas cidades mais de 58 mil toneladas de bombas. Paralelamente aos ataques aéreos, a Grã-Bretanha foi submetida ao cerco pelos submarinos. Em 1939 os ingleses haviam perdido 810 mil toneladas de barcos afundados, que no ano seguinte aumentou para 4 milhões e meio, atingindo o máximo de perdas em 1942, quando mais 8 milhões de toneladas foram postas à pique pelos torpedos alemães. Hilter escolheu a guerra submarina devido a inferioridade numérica da esquadra alemã e, tentava com ela, reeditar o Bloqueio Continental ordenado por Napoleão. Isolando a Inglaterra de suas colônias esperava secar as fontes de abastecimento em matérias-primas e alimentos, necessárias a seu esforço de guerra. Desta forma usava a estratégia do ataque indireto visando a neutralização e submissão da Inglaterra. No entanto, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, a partir de dezembro de 1941, esta política não se concretizou. Imensos comboios passaram a atravessar o Atlântico apoiados pela esquadra anglo-americana. A invenção do sonar e a construção de destroiers, aperfeiçoaram a caça de submarinos. Se em 1940, apenas 22 submarinos haviam sido destruídos, seu número aumentou para 35 no ano seguinte, 85 em 1942 chegando ao auge em 1943, quando 287 submarinos foram postos fora de combate. Esta política da guerra submarina terminou por levar os alemães a realizarem ataques indiscriminados a navios mercantes, mesmo àqueles países que ainda permaneciam neutros. O Brasil tem vários barcos torpedeados, a maioria dos quais no Atlântico Sul, o que forçará a entrada de Getúlio Vargas no conflito.
Conclusões da 1ª fase -
setembro de 1939 a junho de 1941
A guerra se iniciou com o conflito germano-polonês, em setembro de 1939, tornou-se 22 meses depois num combate generalizado envolvendo todas as nações da Europa Ocidental. Permaneceram neutros a Suécia, a Suíça e os países ibéricos. Ao término desta fase o sucesso de Hitler era evidente; suas forças haviam submetido oito países, perfazendo o controle de mais de um milhão e meio de km2 com uma população de mais de cem milhões de indivíduos. O poderio francês havia sido varrido em pouco mais de um mês e a Inglaterra achava-se na defensiva. O controle territorial partia das margens polares da Noruega englobando boa parte do Mediterrâneo. Contando os territórios da Alemanha, Áustria, Tchecoslováquia mais as áreas dominadas, temos um total de 2 milhões 340 mil km2, com uma população de mais de 250 milhões. Os alemães passaram usufruir os recursos industriais e agrícolas da França, Bélgica e das regiões orientais da Europa (dominados: como a Iugoslávia, ou aliados como a URSS permaneciam neutros, fazendo com que o domínio alemão fosse incosteste. Suas forças armadas tornaram-se calejadas, mais de dez milhões de homens haviam sido mobilizados dotados de modernos equipamentos baseando sua estratégia numa poderosa e ágil força blindada. O moral dos tropas era elevadíssimo, criando-se o mito da insensibilidade do exército alemão - a mais poderosa máquina de guerra que o mundo havia visto. Todos estes fatores criaram um clima otimista para Hitler dar início a 2ª fase do conflito: a invasão da URSS - que seria a sua tumba.
Países aliados da Alemanha:
1) Itália 2) Finlândia 3) Hungria
4) Bulgária
5) Romênia
A II fase da ofensiva Nazi-fascista
Vários fatores contribuíram para que Hitler se decidisse a invadir a URSS. Era-lhe difícil precisar quanto tempo a União Soviética se manteria fora do conflito e já que mais tarde ou mais cedo ela se envolveria, decidiu tomar a iniciativa atacando antes. Hitler subestimou o potencial soviético e de certa forma, sua opinião sobre a capacidade de resistência do Exército Vermelho era compartilhada pelos observadores ocidentais. Em 1937 Stalin havia expurgado todo alto-comando das Forças Armadas, 65% dos oficiais desapareceram nos campos de concentração ou pelos fuzilamentos. A fragilidade do potencial soviético foi testada na guerra conta a pequena Finlândia, onde os russos padeceram severas perdas para submeter os fineses. Inegavelmente o peso maior devia-se ao antagonismo de ambos sistemas políticos. Hitler, afinal era o campeão do anti-comunismo, e esperava apoio mundial para sua cruzada contra bolchevismo. O pacto germano-soviético, fora apenas um interlúdio tático para consolidar seu domínio no Ocidente e desta forma poder jogar todo o peso do poderio alemão contra URSS.
Stalin recebeu vários avisos da iminência da invasão. Tanto o serviço secreto britânico como o Departamento de Estado americano alertaram-no com suficiente antecipação. O espião soviético, Sorge, que atuava na Embaixada Alemã em Tóquio, enviou mensagem indicando a data exata em que os exércitos alemães atacariam. Nada disso convenceu Stalin. Acreditava que não passavam de manobras para envolvê-los numa guerra contra a poderosa Alemanha. Ordenou, inclusive, que os exércitos soviéticos se afastassem da fronteira alemã para evitar qualquer tipo de provocação. Assim, não é de espantar que fossem pegos de surpresa quando a invasão iniciou. Os alemães dividiram suas forças em três grandes grupos de assalto. Os Exércitos do Norte, sob comando do Gen. Von Leeb possuía 57 divisões e sua missão era ocupar os Estados Bálticos e unir-se com os finlandeses em Leningrado. Os Exércitos do Centro, sob comando do Gen. Von Bock, composto por 45 divisões tinha como missão dirigir-se a Moscou. Os Exércitos do Sul, sob chefia de Von Rundstedt, com 38 divisões deslocaria-se para as férteis regiões da Ucrânia e posteriormente para o Cáucaso, rico em minérios e petróleo. Era a mais vasta operação de guerra até então ensejada pelos alemães, implicando numa força de 150 divisões mais tropas auxiliares de outras nacionalidades (romenos, húngaros, espanhóis, italianos, e pequenos grupamentos fascistas) perfazendo 3 milhões e duzentos mil soldados. Uma força dez vezes superior a de Napoleão quando este invadira a Rússia cento e trinta anos antes, e o maior exército invasor de todos os tempos.
O ímpeto do ataque alemão desbaratou as forças fronteiriças e destruiu, quase toda a força aérea soviética, que foi abatida no solo. A penetração alemã teve poucos obstáculos. Suas divisões blindadas avançavam celeremente, envolvendo os exércitos russos em enormes bolsões. Nos primeiros meses do conflito, mais de 650 mil prisioneiros foram feitos. O otimismo e a certeza de uma vitória fácil inundou o Alto-Comando alemão. Pelos seus cálculos, pouco restava do poderio militar soviético, visto que em apenas cinco meses amplas regiões da Rússia caíram sob seu controle. Leningrado estava cercada, a estrada para Moscou desguarnecida, a Ucrânia desamparada. Mas lentamente a determinação e resistência dos soviéticos se fez sentir - uma guerra de vida e morte se perfilava no horizonte.
A locução de Stalin, feita em 4 de julho de 1941, dez dias depois da invasão alemã:
"Camaradas, cidadãos, irmãos e irmãs, combatentes do nosso Exército e da nossa Marinha! É a vos que me dirijo, meus amigos! Grave ameaça paira sobre o nosso país (...) Esta guerra nos foi imposta, achando-se o nosso país empenhado agora numa luta de vida ou morte contra o mais pérfido e maligno dos seus inimigos, o Fascismo Alemão. Nossas tropas se batem heroicamente em situação desvantajosa, contra um adversário fortemente armado de tanques e aviões... O grosso das tropas soviéticas, equipado com milhares de tanques e aviões, somente agora começa a participar dos combates... Unido ao Exército Vermelho, todo o nosso povo se levanta para defender a Pátria. O inimigo é cruel e impiedoso. Quer nossa terra, o nosso trigo e o nosso petróleo. Visa à restauração do Czarismo e à destruição da cultura nacional dos povos da União Soviética... quer nos fazer escravos de príncipes e barões germânicos.
Nas nossas fileiras não haverá lugar para os fracos e os covardes, para os desertores e causadores de pânico. Nosso povo será destemido na luta e combaterá com abnegação na guerra patriótica de libertação contra os escravizadores fascistas.
(...) Sempre que unidades do Exército Vermelho sejam obrigadas a recuar, todo o material rodante ferroviário há de ser também retirado. Ao inimigo não se deixará uma única máquina, um simples tanque, uma libra de pão ou uma latinha de óleo. Os kolkhozniki sairão com todos os seus animais, entregarão ao Estado suas reservas de cereais para o envio a retaguarda... Tudo o que não puder ser carregado será destruído, seja cereal ou ferro, combustível ou metais não ferrosos ou qualquer propriedade de valor.
(...) Camaradas, nossas forças são incomensuravelmente grandes. O inimigo insolente logo o perceberá. Unidos ao Exército Vermelho, milhares de trabalhadores, de kolkhozniki e de intelectuais irão à guerra. Surgirão muitos milhões mais. Os trabalhadores de Moscou e de Leningrado já começam a organizar um opolcheniye (corpo auxiliar de voluntários ) de milhares de militantes para auxiliar o Exército Vermelho... O imenso poder popular será empregado para esmagar o inimigo. Avante! À vitória!"
|