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A intervenção na Nicarágua


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José Zelaya, vitima de um intervenção arranjada

A Nicarágua desde o século XIX mereceu especial atenção das autoridades norte-americanas devido a sua situação geográfica que possibilitava ser uma alternativa americana ao canal panamenho. Naturalmente que, depois da construção daquele, passou a ter sua importância estratégica ampliada pela sua proximidade com a grande obra. Numa tentativa de expandir as operações do "capital filantrópico" dos banqueiros norte-americanos, foi oferecido ao presidente José Santos Zelaya um empréstimo de 15 milhões de dólares em troca da custódia alfandegária e outras concessões. A recusa de Zelayo foi seu fim. Uma das companhias americanas locais, a United States-Nicaragua Concession, cuja sede ficava em Pittsburg, tramou uma rebelião contra o governo, antecipando-se assim em mais de sessenta anos a ação da ITT e da CIA contra o governo de Allende no Chile, deposto em setembro de 1973.

Com o fim de obter a simpatia da opinião pública para a intervenção, espalhou-se que Zelaya pretendia entregar uma concessão para a construção de um canal aos japoneses. Além disso, Zelaya movimentou-se para recompor a unidade da América Central por meio da restauração de uma federação centro-americana, o que feria os interesses norte-americanos, que pretendiam manter aquela região divida em fragmentos políticos desarticulados.

O Tratado Knox-Castrillo


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Secretário Philander Knox, bons negócios para os bancos

Os fuzileiros desembarcaram na costa atlântica da Nicarágua, em Bluefilds, para "proteger cidadãos e propriedades estrangeiras". Um novo presidente subia ao poder. Nada mais nada menos que um ex-secretário da concessionária americana, Adolfo Dias. Naturalmente que a indignação nacional contra tal situação fez com que os fuzileiros fossem convocados em caráter permanente. O secretário Knox ordenou que 2.700 deles permanecessem no país, o que fizeram até 1933, quando o primeiro Somoza, Anastácio, garantiu a tranqüilidade dos investidores. Paralelamente à ocupação militar ocorreu a ocupação econômica. A apropriação do país se deu através do Tratado Knox-Castrillo, assinado em 1911, pelo qual, em troca de um milhão de dólares oferecidos pelos banqueiros, esses passariam a controlar a maioria das ações das ferrovias estatais e do Banco Nacional, além de indicarem um funcionário seu para exercer o controle das alfândegas.

Em síntese, ele determinava que:
1 - Os Estados Unidos recebiam o direito de intervir na Nicarágua para manter a ordem e proteger os interesses americanos
2 - O débito nacional da Nicarágua seria refundido com recursos americanos
3 - Os americanos ganhavam o controle da aduana para assegurarem-se do pagamentos das dívidas

O Tratado Bryan-Chamorro e Sandino


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Augusto Sandino

Se Taft não pôde cumprir a promessa de substituir os "canhões por dólares", foi o presidente Wilson quem apresentou o arremate final na submissão da Nicarágua. Em 1916 consumou-se o Tratado Bryan-Chamorro, pelo qual os Estados Unidos recebiam o direito exclusivo de abrir um canal através do istmo, o aluguel da ilha do Milho e o estabelecimento de uma base naval no golfo de Fonseca. Manifestando sua indignação contra o tratado, o general Augusto César Sandino (1893-1934) não apenas o denunciou como passou para a clandestinidade, iniciando, a partir de Yucapuca, uma guerra de guerrilhas contra os fuzileiros norte-americanos, que se aquartelaram na Nicarágua. Sandino e seu "pequeno exército de loucos" somente baixou as armas quando estes se retiraram, obedecendo à política de "boa vizinhança" do presidente Franklin D. Roosevelt. Mas logo em seguida, em 21 de fevereiro de 1934, ele foi assassinado à traição na periferia de Manágua pelo jovem comandante da Guarda Nacional, Anastácio Somoza, cuja família perpetuou-se no poder até a revolução de 1979. Sandino, por sua vez, promovido a herói nacional pelo povo miúdo, tornou-se bandeira de todos os movimentos nicaragüenses que resistiam à ditadura somozista.

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» Cuba e a Guerra Hispano-americana de 1898
» O Destino Manifesto e a Guerra contra o México
» A Doutrina Monroe, 1823
» EUA e o Delírio Intervencionista
» O Império de Classe Média

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