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Caribe, um Mare Nostrum

Se o corolário Roosevelt transformou o Mar do Caribe num Mare Nostrum das finanças e da esquadra americana, dando ordenamento jurídico às futuras intervenções, foi o corolário Lodge quem representou o ato final sancionando a dominação norte-americana sobre a região - considerando-a estratégica -, pois ampliava para o plano militar os interesses de Washington na área.

Os japoneses, aproveitando-se da confusão reinante no México devido à eclosão revolucionária de 1910, fizeram uma oferta para que lhes fosse concedido um porto em Magdalena Bay, na Baixa Califórnia. Apesar dos motivos da solicitação japonesa atenderem a objetivos comerciais, o local era apropriado para a construção de uma base naval para qualquer potência que ali se instalasse.

A doutrina Lodge e os limites a autonomia


reprodução

Senador Lodge, limitando os vizinhos

A notícia do interesse japonês causou grande alarme em Washington, fazendo com que o senador Henry Cabot Lodge, um especialista em assuntos externos muito próximo a Roosevelt, lançasse os fundamentos de uma outra doutrina: "... o Governo dos Estados Unidos não podem ver, sem grave preocupação, a atual ou potencial possessão de um porto ou um lugar equivalente por um governo não-americano, que possa dar a este governo um poderio de controle naval ou intenções militares". Deste modo, o senador Lodge advertia tanto as outras potências como os próprios governos latino-americanos a não se arriscarem a ceder bases navais, mesmo que para fins comerciais, a quem os Estados Unidos considerassem inconveniente. Não poderia haver outras bases navais na América Central e no Caribe que não fossem as norte-americanas. Desta forma o corolário Roosevelt completava-se com este aberto cerceamento da autonomia dos vizinhos dos Estados Unidos, decorrente da Doutrina Lodge.

A Diplomacia do Dólar

"Os Estados Unidos são felizes ao encorajar e apoiar os banqueiros americanos que aceitaram estender sua mão caridosa a esses países para prover sua reabilitação financeira"

Presidente Taft
(discurso no Congresso em 3 de dezembro de 1912)


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O presidente Taft, caricaturado como o gordo histrião Falstaff de Shakespeare

Foi durante a administração Taft (1909-1913) que a expressão "diplomacia do dólar" consagrou-se. O termo foi adotado após a publicação de uma brochura escrita por um certo James Leets intitulada United States and Latin América: dollar diplomacy, aparecida em 1921. No entanto, quem lhe deu forma política foi o secretário de Estado Philander C. Knox, que, numa orgulhosa declaração, afirmou ter obtido para os financistas e construtores norte-americanos, por meios não confessáveis, contratos e concessões no valor de 200 milhões de dólares utilizando-se de dois magros créditos de 100 mil dólares cada um. Desta forma, o Departamento do Estado se transformava num Ministério dos Lucros Exteriores. A sedimentação oficial desta política foi consagrada pelo próprio Taft: "Se por um lado é verdade", disse ele, "que nossa política estrangeira não deve se desviar do reto caminho da justiça, isso não exclui de nenhum modo uma atividade de intervenção para assegurar aos nossos comerciantes e aos nossos capitalistas investimentos e recursos que beneficiem ambas as partes".

O fim dos empréstimos europeus

A diplomacia do dólar envolvia duplo objetivo: afastar em definitivo os interesses europeus ainda existentes na área caribenha e dominar economicamente as pequenas repúblicas em crônico estado falimentar. Esta política de estímulo à "mão caridosa" dos banqueiros havia feito com que nos últimos dez anos que antecederam a administração Taft os investimentos norte-americanos aumentassem quatro vezes e meia em Cuba e nas demais ilhas do Caribe, três vezes mais no México e duas vezes nos demais países centro-americanos.

Nesta época, entre 1909-1914, o capital investido na América Latina chegou a representar 42,3% do total das aplicações diretas dos Estados Unidos no exterior. Essa massa de dinheiro, que chegava quase a um bilhão de dólares, necessitava de proteção. Para tanto, Taft adotou a assim chamada política preventiva, destinada a evitar revoluções ou conturbações sociais que pudessem pôr em risco estes investimentos. Além de fazer larga utilização da "diplomacia das canhoneiras", como ficou patente no caso da Nicarágua.

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