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Educar o povo

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O mestre e o discípulo
Naturalmente que, com os eventos precipitados a partir de 1789, essa discussão rapidamente eclipsou-se. Depois da tomada da Bastilha no 14 de julho, ninguém mais ousava discutir se o povo devia ou não ser instruído. A questão passou a ser outra: de que forma regenerar pela educação o novo homem produzido pela Revolução? Quais os métodos políticos e pedagógicos a serem adotados e seguidos para atingir os objetivos estabelecidos pelas declarações de direitos e pelas Constituições? Como poder educar o povo?

A escola politizada

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Le Peletier, educação revolucionária
Duas tendências conflitantes emergiram então. Uma delas baseava-se no elã revolucionário, no entusiasmo que a Revolução havia provocado na multidão nos seus primeiros anos. Para ests tratava-se de formar o homem novo dentro dos princípios do ardor revolucionário, conjugando-o com uma moralidade espartana calcada no sacrifício pessoal em favor do coletivo. Essa proposta, defendida por Robespierre, apoiava-se nos papéis do deputado Le Peletier de Saint-Fargeau, assassinado por um monarquista no dia 20 de janeiro de 1793, achados após sua morte. Representando o mártir republicano que havia votado pela morte de Luís XVI, o líder dos jacobinos defendeu uma educação sóbria, obrigatória, baseada em internatos, fortemente doutrinária, militarizada mesmo. Concretizou-se o seu desejo na abertura da Escola de Marte em Paris, que funcionou até alguns meses depois da execução do ditador depois do Golpe do Termidor, em 1794.

A proposta de Condorcet

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O Marquês de Condorcet (1747-1794)
Anterior a essa proposta houve a de Condorcet, o último dos filósofos iluministas e parlamentar simpatizante da Gironda. Encarregado pelo Comitê de Instrução Pública da Assembléia Legislativa, Condorcet apresentou seu plano educacional em abril de 1792, justamente no momento em que a França declarava guerra aos reis vizinhos. Na verdade era um resumo da publicação que fizera um ano antes, em 1791, denominada de Cinq Mémoires sur l 'instruction publique, cujo primeiro volume intitulara: Nature et objet de l 'instruction publique. A hostilidade pessoal do filósofo à educação dos jesuítas fez com que Condorcet se tornasse ideólogo das modernas pedagogias da liberdade. O ensino deveria ser público, gratuito e universal. A Igreja seria afastada definitivamente da instrução pública, visto ser encarada pelos iluministas e pelos revolucionários de 1789 como uma agência da superstição, fomentadora do fanatismo e do obscurantismo.

Os liceus

Condorcet pensava em espalhar pela França inteira escolas centrais (que Napoleão mais tarde substituiu pelos liceus), que coordenariam as escolas menores, dos distritos. Os professores seriam escolhidos por critérios técnicos e formariam um corpo profissional independente, completamente afastados do partidarismo. O conteúdo a ser desenvolvido nas escolas, nos moldes propostos pelos enciclopedistas, deveria dar maior ênfase nas ciências exatas para tornar o ensino adequado aos tempos de ascensão das máquinas e da tecnologia. Se a igualdade natural era impossível de obter-se devido à diferença dos talentos, caberia à sociedade pelo menos estabelecer a tão almejada igualdade de oportunidades. A liberdade seria sua própria pedagogia. Sem dúvida ocorreria a regeneração do indivíduo, mas sem os exageros de uma educação baseada no entusiasmo, que, para Condorcet, seria reimplantar o fanatismo por via secular. Tirava-se a Igreja, colocava-se o Estado!

O novo cidadão

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Um futuro para o novo homem
Graças ao exercício das faculdades naturais de cada homem e do seu espírito crítico, assim pensava ele, o novo cidadão se ergueria das ruínas da velha ordem para construir o mundo futuro, o do progresso.

Desde então os princípios fixados por ele continuam, de uma forma ou de outra, a balizar o moderno ensino público praticamente em todo o mundo. A morte obscura de Condorcet num calabouço jacobino, em 29 de março de 1794, nunca lhe tirou a primazia de ter sido o precursor da idéia da emancipação das massas pelo ensino.

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