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Introdução | As idéias: o socialismo | O pensamento revolucionário na Rússia | As causas | As três etapas da revolução de 1917 | 1918: O ano I da Revolução | A guerra civil e o comunismo de guerra | A NEP e a reconstrução nacional | Socialismo num só país | A segunda revolução | Notas | Conclusões
História da Rússia Soviética da Revolução de 1917 ao Stalinismo
A segunda revolução
Stalinismo e os grandes expurgos
Nos anos trinta a União Soviética iria se lançar numa das mais formidáveis e traumatizantes aventuras dos tempos contemporâneos. A transição vertiginosa de um país agrário num país industrializado. Pela primeira vez na História esta transição não se daria pelas forças cegas da lei do mercado e sim pelo impulso estatal amparada na planificação econômica geral. Stalin enterrou definitivamente a NEP e deu início ao lançamento das bases industriais que permitiram porteriormente a URSS sair vitoriosa no conflito com a Alemanha Nazista (1941-45). No entanto sua política teve terríveis conseqüências no plano físico, moral e intelectual da nação. Acicatado pela necessidade de fazer frente a "ameaça capitalista" que cercava o país, os soviéticos lançaram-se à tarefa num ritmo sem prescedentes.
O primeiro passo dado foi a coletivização forçada a que os camponeses foram submetidos. A URDD do final dos anos vinte possuía aproximadamente de 25 milhões de pequenas propriedades, onde viviam mais de cem milhões de camponeses com suas famílias. A contradição da propriedade privada da terra e propriedade socializada foi resolvida num golpe. Criaram-se milhares de fazendas coletiva (Kolkozes) e granjas estatais (solfkozes) que deveriam iniciar uma nova etapa da história da exploração agrícola do solo. Esperava-se deste modo, fazer com que a produtividade agrícola aumentasse com a mecanização das lavouras, cumulando-se assim a renda necessária para a sustentação dos grandes projetos de eletrificação e industrialização. A resistência dos camponeses foi muito além das expectativas. Mataram seu gado, inutilizaram suas ferramentas e, em muitas regiões, rebelaram-se abertamente contra o regime . Stalin foi implacável. Mobilizaram-se inclusive forças do Exército para cumprir o projeto de coletivização e milhões de kulaks foram deportados para os campos siberianos condenados os trabalhos forçados. O impiedoso chicote de Stalin abateu-se sobre o campo e destruiu o que restava de resistência.
Na área urbana os projetos industriais cresciam como cogumelos, o padrão de vida era baixo e as dificuldades de habitação, transporte e alimentação duríssimas. Milhares de camponeses foram jogados dentro das fábricas, onde sua inabilidade, indisciplina e ignorância provocavam um espantoso índice de acidentes de trabalho. Mas o clima do país, pelo menos nos primeiros anos da década dos trinta, era de entusiasmo. A juventude lançou-se ardorosamente na construção industrial pois esperava-se em breve chegar finalmente a sociedade igualitária. Milhares de administradores, economistas, engenheiros eram formados e engajavam-se na monumental tarefa. No entanto, a população ainda iria passar pôr um teste ainda mais duro - a Era do Terror - quando Stalin decidiu-se pela eliminação de todos àqueles que lhe fizeram e faziam oposição, dentro do partido.
O assassinato de Kirov, um dedicado homem de confiança de Stalin, na "capital da Revolução" (Leningrado), serviu de pretexto para que o ditador inicia-se os terríveis expurgos que espantaram o país e o mundo. Numa série de processos (entre 1936 e 1938) toda a "Velha Guarda" do partido bolchevique foi esmagada. Este terrível período ficou na memória como a Yezovchnina - o terror de Yezov chefe da Polícia Secreta (NKVD) - que também foi executado quando Bária assumiu o comando do aparelho repressivo, em 1938 .
Até hoje os historiadores procuram as causas desse terrível massacre e encontram dificuldades em encontrar sua "racionalidade"- tentaremos expor abaixo algumas de suas possíveis causas e funções:
Com a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha, sua política belicista e anti-comunista tornava mais próxima a idéia de uma invasão da URSS - alentada por outras nações capitalistas. No Oriente, o expansionismo japonês (conquista de Machúria e guerra contra a China) ameaçava o forte siberiano. Criou-se assim um clima favorável para o alarme da "Pátria socialista em perigo e arregimentação de todas as forças em torno da ditadura stalinista.
Esta pressão externa condicionou Stalin a visualizar em seus inimigos políticos (dentro do Partido) como, objetivamente, inimigos da revolução e aliados da reação fascista . dado o despreparo do país para enfrentar um ataque conjunto alemão-japoneses, era inevitável que a oposição terminasse por questionar sua autoridade sobre o país. Ele passo a agir de forma "preventiva" antes que a oposição ganhasse vulto, explorando a insatisfação contra o Regime. As abjetas confissões a que os velhos revolucionários foram submetidos, tinham por objetivo degradá-los perante a opinião pública - ao mesmo tempo que consagravam Stalin como o único e exclusivo seguidor do Leninismo e da pureza revolucionária.
A industrialização acelerada, feita sem nenhum amparo em referências anteriores - fez com que os inevitáveis acidentes e dificuldades, fossem apontados como sabotagem contra-revolucionária. Desta forma eximia-se a facção dirigente das inevitáveis calamidades que uma industrialização galopante traz em seu bojo. O terror passou a exercer uma função pedagógica. As falhas e a incompetência eram punidas com a prisão ou fuzilamento, fazendo com que as eficiências de formação fossem superadas pela dedicação integral ao trabalho.
Os processos e fuzilamentos atuavam também como uma espécie de "compensação" psicológica para a massa da população. Apesar dos sofrimentos a que estavam submetidos, pelas condições do trabalho, pela escassez de víveres e de habitação, "consolovam-se" ao ver os privilegiados do regime stalinista pagar com a vida sua indisposição com a facção dirigente.
Mas não foram apenas os quadros políticos e técnicos os atingidos pelas grandes purgas. Nem o Exército nem a polícia secreta ficaram imunes: 65% dos oficiais graduados foram executados ou presos mais de três mil tchequistas foram fuzilados. De certa forma isto foi interpretado como demonstração de fraqueza do Estado Soviético, pois ao eliminarem os quadros da nova intelligentsia militar (pincipalmente o grande estrategista, o Marechal Tukaschevski) favoreceram os preparativos blicistas de Hitler.
Os resultados internos, no entanto, consagraram o domínio absoluto de Stalin. Uma nova equipe dirigente foi colocada a sua disposição. Duos, eficientes e cruéis, propiciaram uma centralização efetiva do poder. Deve-se observar que o stalinista típico, tinha formação cultural bem inferior a dos membros da Velha Guarda partidária. Poucos conheciam o exterior, - ficando suas raízes em solo russo. Ao contrário da elite intelectual dos primeiros tempos, fornida pela alta especulação teórica, os homens de Stalin dominavam o jargão convencional do marxismo. Sua própria extração social era distinta. Excetuando talvez Molotov e Malenkov, seus próximos emergiram da baixa classe média e do operariado - como Kalinin e Kruschev.
Foi durante seu período de pleno poder que a Ciência, as Artes e a Literatura tornaram-se adstritas à política. Nenhum ramo do conhecimento atuava à margem dos interesses partidários imediatos, tornando-se instrumento da propaganda oficialista, sob a batuta do Ministro da Cultura Zhadanov. Artistas e historiadores viviam sob a vigilância permanente e seus textos, muitas vezes, eram censurados pelo próprio Stalin (de acordo com a tradição czarista, pois Nicolau I fazia o mesmo com as rimas do grande poeta Puschkin). Mesmo assim, os alcances da instrução massiva atingiram as multidões . Os grandes clássicos da literatura tornaram-se acessíveis aos operários e camponeses. Balzac Tolstoi, Stndhal, Tchecov, Shakespeare, Homero tiveram tiragens contadas aos milhões.
Os Planos Qüinqüenais, iniciados em 1928 proporcionaram ao país a possibilidade, não só de atingir cifras impressionantes de crescimento econômico, como serviram para derrotar a mais eficiente máquina militar posta em movimento na Europa, a Wermacht de Hitler. Milhões de rudes camponeses passaram a dominar a tecnologia e enviar seus filhos para os cursos de graduação superior.
Talvez como nenhum político de outros tempos, Stalin soube graduar a dicotomia do poder esboçada por Maquiavel, seu sucesso deve-se a habilidade com que equilibrava Temor e Amor para manter-se na crista do Estado. Por outro lado sua autocracia não deve ser vista apenas como decorrente da sua vontade pessoal e sim como resultado de um processo que se iniciou muito antes dele tornar-se o Número Um do partido.
Quando venceram os Brancos na Guerra Civil, os bolcheviques não só não estenderam a conciliação aos outros partidos de Esquerda, como decretaram sua supressão. Ao tornarem-se partido único, foi inevitável que as tensões sociais eclodissem no Politburo - o surgimento de facções foi sua decorrência lógica. Posteriormente uma das facções - a stalinista - se impos sobre as demais (trotskistas, zinovievistas, bukarinistas), culminado por fazer com que os próprios stalinistas terminassem por inclinar perante seu chefe. O execrado "culto à personalidade" e o despotismo semi-bizantino de Stalin, foi obra pois de um mecanismo político que adquiriu autonomia própria, independentemente da vontade daquele que lhe deram o impulso inicial.
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