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O terror no interior

Os jacobinos agiram implacavelmente. No Oeste francês, a contra-revolução foi reprimida sem tréguas. Em Nantes, o braço do terror fez com que fossem afogados no Rio Loire aproximadamente três mil suspeitos, inclusive os padres refratários (isto é, aqueles que não aderiram à república) e salteadores comuns, sem direito à defesa. Em outras regiões, devido à lentidão da guilhotina, os suspeitos eram fuzilados aos magotes. Nestas operações de extermínio destacou-se Joseph Fouché, um terrorista que mais tarde seria o chefe de polícia do regime de Napoleão. Saint-Just, por seu lado, explicava as execuções: "É preciso governar com a espada os que não podem ser governados com a justiça".

O poder discricionário de Robespierre não tinha limites. No verão francês de 1794, o terror atingiu o seu auge. De 11 de junho a 27 de julho, o Tribunal Revolucionário expediu 1.376 condenações, só em Paris.

O golpe do Termidor

Mas o terror acabou se voltando contra o próprio Robespierre, que mais e mais se isolava. Um fosso de sangue separava o ditador do resto da nação assustada e estarrecida com tamanha brutalidade. A Convenção, temerosa da extrema concentração de poderes nas mãos do tirano, ameaçada por ele num desastrado discurso, tomou coragem para reagir. Robespierre, depois de ter eliminado a sua "esquerda", executando Herbért, seguida da "direita" jacobina, com o guilhotinamento de Danton e de Desmollins, desejava fazer um grande expurgo na Convenção. Chegou a anunciar que em breve apresentaria a lista dos que considerava corruptos e desleais para com a revolução. Foi o seu maior erro político. Temerosos de estarem na lista fatal, deputados centristas e de outras tendências que se perfilavam no chamado "pântano" (le marais), articularam uma reação contra a ditadura.

A 27 de julho (ou 9 Termidor do ano II pelo novo calendário republicano), numa sessão concorrida, com as galerias lotadas, os convencionais, em uníssono, depois de terem impedido o ditador de discursar, gritando "o sangue de Danton o sufoca!", votaram pela sua destituição e imediata prisão. Acusaram-no de tirania, declarando-o fora-da-lei. O "incorruptível", como Robespierre era chamado, foi detido naquela noite mesmo e, no dia seguinte, apesar de dolorosamente ferido no maxilar por um tiro, ele e mais 22 seguidores, entre eles Saint-Just e o seu irmão Robespierre, o jovem, subiram na carreta que os conduziu à execução. A lâmina que tanto executara em nome da revolução, agora decapitava o que restara da revolução. Essa sessão seguida da queda de Robespierre, passou à história como o "golpe do 9 Termidor".

O fim da ditadura das massas

reprodução
A prisão de Robespierre
Com ela encerrou-se a etapa mais radical da revolução. Daquela data em diante, passo a passo, a França revolucionária entraria em refluxo. Com a deposição de Robespierre sepultou-se por muito tempo a idéia de uma democracia das massas, dirigida diretamente por um chefe inflexível. De república radical, entre 1793-94, a França transitou para a calmaria do Diretório em 1795. Derrubado este pelo Golpe do 18 Brumário (9 de novembro de 1798), chegou ao consulado com o jovem general Napoleão Bonaparte. O general revolucionário por sua vez transformou-se num governante conservador, proclamando-se imperador em 1804. O império napoleônico, por sua volta, que dominou parte considerável da Europa Ocidental e Central, durou até a queda definitiva de Napoleão, depois da derrota em Waterloo, em 1815.

Datas Instituições Personagens e/ou facção
Maio a junho de 1789 Estados gerais (1.154 deputados) Mirabeau e abade Sieyès
Julho de 1789 a setembro de 1791 Assembléia Nacional Constituinte (1.154 deputados) Mirabeau e La Fayette
Outubro de 1791 a setembro de 1792 Assembléia Nacional Legislativa (745 deputados) Brissot e os girondinos
Setembro de 1792 a outubro de 1795 Convenção Nacional (745 convencionais) Robespierre e os montanheses
Outubro de 1795 a novembro de 1798 Diretório: Conselho dos 500 e Conselho dos Anciãos Barras e os termidorianos
- início da ascensão de Napoleão

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