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Indulgentes e terroristas

De um lado, com Danton e Camille Desmoulins, alinharam-se os que acreditavam que o perigo maior havia passado e que a política de terror deveria ser atenuada: eram os chamados "indulgentes". Do outro, encontravam-se os extremistas, ou "terroristas", liderados por Robespierre, que desejavam continuar com as execuções em massa, eliminando qualquer tipo de oposição ou dissidência, pensando assim em esculpir um novo cidadão, dotado das mais altas virtudes republicanas.

reprodução
Danton, o tribuno da revolução
Entre 1793 e 1794 o terrorismo ensangüentou a França e apavorou o mundo. Em apenas dez meses 16.594 acusados de conspiração subiram ao patíbulo e foram guilhotinados, após passarem por processos sumaríssimos. Estima-se que a revolução causou ainda uns 30 ou 40 mil mortos em conflitos diversos espalhados pelo país todo. Apontam-se ainda uns 300 mil detidos durante o processo todo. Não escaparam do terror - como foi chamado esse período - nem os próprios mentores da revolução, como Danton e Camille Desmollins, mandados executar por Robespierre, depois de terem sido submetidos ao Tribunal Revolucionário, num julgamento sensacional, acusados de corrupção, falta de firmeza revolucionária e simpatia pela política de abrandamento. A revolução, como Saturno, devorava seus filhos.

Robespierre vinga Marat

Comandado pelo inflexível Robespierre, o terror havia sido posto na ordem do dia como uma resposta à violência dos inimigos, dos contra-revolucionários. No dia 13 de julho de 1793 o extremista Jean-Paul Marat, cognominado "o amigo do povo", título do seu jornal revolucionário, foi assassinado por Charlotte Corday, uma moça do interior que se dizia simpatizante dos girondinos. Ela deu-lhe uma punhalada quando ele, que sofria de uma doença de pele, estava imerso na banheira da sua modesta casa, cena que Louis David, o pintor da revolução, imortalizou em tela. Marat foi sepultado no dia 15 de julho como herói revolucionário, acompanhado por um enorme cortejo que parou quase toda Paris.

Outros atentados contra os jacobinos reforçaram a tese da existência de uma conspiração contra-revolucionária. Logo depois de Marat, o líder jacobino Chalier foi executado em Lyon, vitima de um complô de girondinos e monarquistas. O terror foi justificado então como um ato de autodefesa da revolução para tentar barrar o braço armado dos assassinos a serviço da contra-revolução.

A ditadura revolucionária

reprodução (tela de David)
A morte de Marat
Robespierre assumira a chefia do Comitê de Salvação Pública e a presidência da Convenção Nacional, o órgão máximo da nação. Tornou-se, de fato, o chefe de governo. O poder que desfrutou pode ser considerado como uma antecipação dos totalitarismo que, depois, no século XX se tornaram correntes. A cinco de setembro de 1793 o terror entrou na ordem do dia. O tribunal revolucionário foi reorganizado. A 17 de setembro, a Convenção aprovou, como se viu, uma lei espantosa, a Lei dos Suspeitos, permitindo que as autoridades prendessem e julgassem todos os "suspeitos" de conspiração. Os acusados, por ela, podiam ser presos, processados, e sumariamente guilhotinados. Simultaneamente o ditador jacobino começava a política de descristianização, com o fechamento das igrejas. A aprovação do novo calendário republicano, em outubro de 1793, romperia definitivamente as influências religiosas no governo.

reprodução
Comitê revolucionário a época do Terror, 1793-4

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