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A revolução é salva

Apesar dos combates espalharem-se para todos os lados, os revolucionários continuavam na Convenção, reformando a ordem social. A 20 de setembro de 1792 aprovaram o casamento civil e o divórcio. No mesmo dia, deu-se um fato marcante. Os batalhões republicanos mal-armados, precariamente uniformizados, mas tomados de entusiasmo, sob o comando do general Dumoriez, conseguiam deter e expulsar as forças estrangeiras do duque de Brunswick na Batalha de Valmy. Não foi um batalha muito sangrenta, apesar de envolver 47 mil franceses e 34 mil austro-alemães, morreram somente 200 franceses e 300 soldados prussianos, quando os invasores tentaram tomar de assalto um moinho (foram detidos pela artilharia francesa). Ela teve, porém, um significado extraordinário. As canhonadas de Valmy salvaram a revolução. Goethe, o grande poeta alemão que acompanhava o duque de Brunswick, ao ver os prussianos baterem em retirada, testemunhou: "Hoje assinala-se uma nova época na história universal".

reprodução (tela de H. Vernet)
Valmy, a batalha salvadora
O paradoxo da revolução no entanto persistia: ao mesmo tempo em que ela não poupava sangue, exigindo mais e mais vítimas, multiplicavam-se os decretos ampliando a liberdade e os direitos gerais da cidadania, que não cessavam de ser aprovados e implementados.

O Julgamento do rei

Expulsos os estrangeiros, contida ainda que temporariamente a contra-revolução, assegurada a república revolucionária, chega a hora do acerto de contas da Convenção com a monarquia, do povo com o seu rei traidor. Ninguém mais podia salvar Luís XVI de um julgamento, marcado finalmente par a o 14 de janeiro de 1793. No universo jurídico absolutista em que seus advogados de defesa, liderados por Malesherbes, ainda pensavam viver, o julgamento era um justiçamento. Não havia jurisdição precedente que autorizasse na França o povo, ou sua representação, julgar o soberano. Nem a Constituição de 1791 previra tal situação, porque o rei, ao deter o direito do veto, estava acima da lei. Na Europa, o único exemplo anterior de julgamento de um rei ocorrera durante a Revolução Puritana de 1649, quando o Parlamento inglês levou Carlos I às barras do tribunal, executando-o em seguida. Porém, como se vira na França, a revolução se legitimara aos olhos do povo e a Convenção, então transformada em representante máxima da nação, chamara a si o direito de julgar o rei.

Foi uma sessão e tanto. A Convenção inteira, ocupando o prédio central do Palácio das Tulherias, com mais de 700 representantes, transformara-se numa gigantesca sala de júri. Coube a Danton encaminhar a demanda pela condenação de Luís Capeto, assim chamado de acordo com as novas normas que o tratamento republicano impunham. Três quesitos deveriam ser respondidos:
1) o rei era culpado de conspiração contra a liberdade pública e atentados contra a segurança nacional?
2) O julgamento deveria ser submetido a sanção do povo?
3) Qual seria a pena imposta ao rei?
Após de 37 horas exasperantes e tensas de discursos e deliberações, com as galerias tomadas por populares, regados à rodadas de vinho, que davam urras a cada manifestação pela condenação à morte, 387 votos parlamentares determinaram por enviar o rei ao cadafalso, enquanto 334 se negaram a fazê-lo. O voto que causou mais espanto foi o do primo do rei, Felipe-Égalité, ligado à Montanha, que, com medo de se ver ameaçado das tribunas pelo público presente, pronunciou : je vote pour la morte!

No 21 de janeiro de 1793, um dia de inverno, Luís XVI foi levado ao cadafalso para ser decapitado por Sanson, o carrasco oficial da república convencional. Por toda a Europa, os reis tremeram. A cabeça cortada e sangrada do rei, erguida na praça pública lotada, foi o aviso que a França revolucionária enviou aos soberanos do velho continente, junto com o grito "Morte aos tiranos!"

reprodução
Luís subindo no cadafalso, 21 de janeiro de 1793

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