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A Vendéia

Confinaram o ex-soberano e toda a sua família no Templo - o Monastério da Ordem dos Cavaleiros Templários - três dias depois. Sabedores da queda da monarquia, os habitantes da Vendéia, na distante província da Bretanha, na beira do Atlântico, insuflados pelos padres e pela nobreza da região, se rebelaram contra a república. Iniciava-se uma cruenta guerra civil entre o governo republicano e os chouans, como os contra-revolucionários da Bretanha eram chamados, guerra que se estenderia até 1799. Ao mesmo tempo que a guerra civil grassava no interior da frança, os exércitos estrangeiros apertaram o cerco, mas os revolucionários não esmoreceram.

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Os símbolos dos patriotas
O duplo envolvimento da revolução na guerra interna e na mobilização contra os estrangeiros foram as raízes do terror. A Vedéia, por sua vez, numa resistência aos sucessivos governos de Paris (o da Convenção, o do Diretório e por fim ao consulado), só depôs as armas em 1799, inspirando a que mais tarde dois dos maiores escritores da França, Balzac e Victor Hugo, deixassem excelentes narrativas romanceadas da guerras dos chouans (respectivamente A Bretanha em 1799 e O 93).

Execuções

reprodução (tela de David)
Milhaud, um general revolucionário
A Convenção Nacional criou o Tribunal Revolucionário e ordenou a prisão de monarquistas. Georges Danton, um advogado jacobino, assumiu o Ministério da Justiça. Ciente dos malefícios que a repressão iria trazer para a imagem do novo regime, Danton disse que sabia que dali em diante ele seria odiado, mas teria salvo a revolução. No 21 de agosto executou-se pela guilhotina (instrumento de execução criado por sugestão do dr. Guilhotin para padronizar as sentenças de morte) um grupo de seguidores do rei. Em seguida, mais três mil simpatizantes da monarquia foram presos. A dois de setembro, chegou a notícia de que o exército prussiano ocupara a fortaleza de Verdum sem encontrar resistência. Falou-se em traição dos generais republicanos à causa da revolução. Um clima de suspeitas envenenou a todos em Paris e nas províncias.

Os massacres de setembro

reprodução
A revolução provocou uma explosão de ódio
Rumores da existência de uma conspiração de aristocratas e do clero pronta a desencadear uma vingança ganharam as ruas. O povo, então, temendo possíveis represálias caso o exército estrangeiro chegasse logo a Paris, num ato descontrolado, invadiu as prisões lotadas de gente da nobreza e de seguidores da monarquia, entre elas a do Chatelet, na Bicêcle, do Salpétriere, da Prision de la Force e a da l'Abbaye, culminando com o avanço sobre capela do Carmo. Deu-se então um dos piores episódios da revolução. A pretexto de estar agindo em legítima defesa do povo, a multidão invasora dos chamados sans-culottes, tendo a frente um tal de Maillard, um capitão da guarda, e o jornalista Hébert, matou os prisioneiros a golpes de pau, espada e foice, sem lhes dar chance de defesa, no que ficou conhecido como les massacres de septembre, "os massacres de setembro", considerados como uma espécie de ensaio do "Grande Terror", que viria em seguida. Mais tarde o revolucionário Babeuf, sabendo do que acontecera, disse: "Os senhores feudais, em vez de educar-nos, nos tornaram bárbaros, porque são eles próprios bárbaros. Colhem e colherão o que plantaram..." Entre as vítimas estava a princesa de Lamballe, que terminou esquartejada pela malta por ser próxima da rainha, de quem recebera favores pecuniários especiais. O sanguinarismo da multidão, que entre os dias dois e seis de setembro matou umas 1500 pessoas, maculou para sempre a imagem da revolução no exterior, fazendo com que ela perdesse grande parte da simpatia que até então desfrutava.

Para evitar a repetição desses atos brutais e incontroláveis das hordas sem freio, ativou-se, por sugestão de Danton, o Tribunal Revolucionário para que pelo menos se oferecesse um arremedo de justiça aos acusados de práticas contra-revolucionárias que eram detidos em massa.

A onda de violência que então se desencadeou pelo país inteiro foi a vingança dos humilhados e ofendidos contra os seus ex-senhores do Antigo Regime e os seus representantes. Soara a hora do terrível acerto de contas popular. Caricaturistas ingleses da época chegaram a desenhar charges onde as execuções eram apresentadas como um ritual canibalístico no qual os nobres e aristocratas eram devorados por famílias inteiras de vorazes sans-culottes, contribuindo assim para a formação da legenda negra que começou a ser associada aos eventos revolucionários.

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