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A rendição da França | A guerra relâmpago | O ataque ao Ocidente | A debandada e a queda de Paris | Bibliografia

1940: a queda da França


A rendição da França


Hitler visita a Paris conquistada de 1940

Numa curtíssima campanha militar que durou apenas 39 dias, o poderoso exército alemão, bem armado e bem equipado, conseguiu obter a capitulação da França. A invasão do país pelas divisões blindadas e pela infantaria alemã se dera no dia 13 de maio, encerrando-se com o cessar fogo do dia 25 de junho de 1940. Hitler, entusiasmado pela vitória que o surpreendeu pela rapidez com que se deu, fez questão de receber a rendição dos legatários franceses (chefiados pelo General Maxime Weygand) no mesmo vagão de trem que os representantes alemães firmaram o Armistício em 11 de novembro de 1918, que pôs fim à Primeira Guerra Mundial. Era o doce prato da vingança que ele quis saborear à sombra da Floresta de Compiège.

Acertou-se na ocasião, após alguns dias de negociação, que somente uma parte da França seria ocupada pelas tropas alemãs (a região de Paris e todo o litoral Atlântico). O restante, a França interior ficaria ao encargo de uma administração autônoma, que depois iria revelar-se um governo colaboracionista chefiado pelo Marechal Pétain (um ex-herói da Primeira Guerra que agora, idoso, resolvera aceitar a derrota frente aos alemães). Além de aceitar uma série de condições bastante duras, a França rompia sua aliança com a Grã-Bretanha e repudiava qualquer tentativa de resistência. Esta situação de humilhação nacional durou até que, quatro anos depois, as forças aliadas ocidentais (americanos, ingleses e canadenses) desembarcaram nas praias da Normandia em julho de 1944, pondo fim a ocupação alemã. Nesses anos, e nos anos seguintes do após-guerra, a França teve que amargar o fato de que o chamado Governo de Vichy (Presidido pelo Marechal Petáin), foi o único governo da Europa ocupada que colaborou diretamente com o invasor nazista.

As origens militares da vitória alemã

Historicamente a geopolítica alemã foi sempre condicionada pelo fato da região situar-se numa área central da Europa extremamente vulnerável, possível de ser assaltada por qualquer dos lados. Na terrível Guerra dos 30 Anos (1618-1648),por exemplo, que quase dizimou a população (proporcionalmente morreram mais alemães naquela ocasião do que em 1914-18 ou em 1939-45), ela serviu de palco de um generalizado confronto entre exércitos estrangeiros, católicos e protestantes, que a invadiram em todos os sentidos. Entende-se, pois, a razão dos estrategistas que surgiram mais tarde darem ênfase a necessidade dos exércitos alemães tomarem a iniciativa do ataque. A preocupação com os assuntos militares entre os alemães chegou ao requintes de encararem a guerra como uma atividade que merecia um cuidado quase que filosófico. Claus von Clauzewitz, o grande pensador das coisas de guerra, diretor da Kriegsschule e autor do célebre tratado Vom Kriege, "Da Guerra", de 1833, tornou-se um dos maiores teóricos militares da idade contemporânea, servindo como paradigma para a maioria dos estados-maiores ocidentais.

A doutrina da aniquilação

Quando da fundação do IIº Reich Alemão, o império de bismarck, consagrado no Salão dos Espelhos de Versalhes em 1871, depois da vitória na guerra franco-prussiana de 1870, o grande estrategista revelado pelas guerras recentes, era um aristocrata da velha escola prussiana chamado Bernhardt von Molke, morto em 1891, que inculcou nas gerações seguintes de oficiais alemães o dogma do ataque a todo custo. Entre seus discípulos, estava o seu sucessor na chefia do estado-maior imperial, Alfred von Schlieffen, morto em 1913, e criador da doutrina da Vernichtugsgedanke, a "idéia da aniquilação". Admirador do general cartaginês Aníbal, que venceu os romanos em Cannae, em 202 a.C., uma batalha considerada por todos peritos como uma obra-prima da ação indireta, Von Schlieffen repudiava a guerra de atrito, com longos e demorados cercos, por vezes travada a partir de trincheiras. O mais adequado para a Alemanha, segundo ele, era a estratégia Guerra de Movimento, cujo sucesso estava na Surpresa Estratégica. Esta decorria da concentração de toda a energia do atacante sobre o Schwerpunkte, o ponto decisivo, o centro de gravidade, a parte mais débil do sistema defensivo do adversário. Feita a ruptura, o exercito atacante, numa rápida operação de cerco, constrangia o inimigo a lutar numa Kesselschlachten, uma batalha de bolsão, onde ele terminava morto ou capturado. Portanto, nada de ataques frontais às defesas do adversário. O importante era achar um ponto fraco, avançar com tudo sobre ele, cercar e faze-lo render-se no mais curto espaço de tempo possível.

O Plano Schlieffen

Von Schlieffen deixou pronto no estado-maior alemão antes da Primeira Guerra Mundial começar, o Plano do Duplo Envolvimento que levou seu nome: o Plano Schlieffen. Para vencer no Ocidente, os exércitos alemães deveriam obrigatoriamente invadir a Bélgica, numa ampla operação de envolvimento onde a parte mais poderosa concentrava-se na ala direita. Enquanto a ala esquerda marcava posições, a ala direita, veloz, desabava sobre as costas do adversários, levando-o, sitiado e exausto, a jogar a toalha no ringue.

O Plano Schlieffen fracassou em 1914 em grande parte porque os alemães não dispuseram do efetivo militar necessário para fazer, como ele determinara, com que "o último soldado alemão da ala direita, roce com a manga direita do seu casaco nas águas do Canal da Mancha". E razão disto é que a integridade da operação só poderia sair-se a contento se a Alemanha travasse uma guerra somente num fronte. No entanto, como se viu a partir de 1914, ela teve que enfrentar uma guerra em três frentes (contra a França e a Inglaterra no Oeste, contra o império russo à Leste, e contra os Reinos da Itália e da Sérvia no Sul), o que a levou a travar uma guerra de posições e, finalmente, à derrota em 1918. A rápida capitulação da França em 1940 pode, portanto, ser vista como resultado de uma aplicação parcial do Plano Schlieffen, alterado pelas circunstâncias que repentinamente se descortinaram frente aos atacantes.

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