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Esmagando a esquerda e a direita


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Röhm tentou enfrentar Hitler

A ocasião propícia para Hitler e Leni deu-se com a anunciada reunião do partido nazista na cidade de Nuremberg, acertada para setembro de 1934. Um pouco antes, naquele verão, o Führer vira-se desafiado por sua própria gente. O capitão Ernst Röhm, o comandante das milícias do partido, os camisas pardas da SA, ousara desafiar a autoridade do líder, querendo impor-lhe diretrizes que Hitler considerara inaceitáveis. Com o apoio de Heinrich Himmler, chefe da sua guarda pessoal, os homens de preto da SS, o chefe nazista agiu rápido e de modo implacável. Em 30 de junho de 1934 deu-se a Noite das Facas Longas, como o episódio ficou conhecido, momento em que Hitler livrou-se de

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Hitler seguido pela águia vitoriosa

maneira brutal de "Röhm e seus rebeldes", detidos de surpresa no Hotel Hanselbauer em Bad Wiessee e, depois, sumariamente fuzilados. Como um ano antes ele liquidara com a esquerda alemã (social-democratas e comunistas), o encontro em Nuremberg pareceu-lhe o momento da celebração do seu domínio absoluto sobre o partido nazista e sobre a nação como um todo. Hitler não tinha mais rivais nem inimigos dentro da Alemanha. Era esse o espírito que Leni Riefenstahl, como artista e como esteta da Nova Ordem, deveria captar no celulóide. Apresentar o vencedor.

De Potsdam a Nuremberg


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O marechal Hindenburg

Nenhuma ação do regime nazista se fazia sem o proveito da sua carga simbólica. Logo que ascendera ao poder, Hitler, o revolucionário, acompanhou o presidente Hindemburg, uma relíquia fardada que sobrevivera à queda do II Reich em 1918, reeleito para o executivo em 1932, numa celebração em Potsdam, antigo e venerável centro da monarquia Hohenzollers, que por séculos reinara na Prússia. Encasacado e de cartola, fazendo mesuras ao velho marechal-presidente, ao som de antigos hinos do Reich, Hitler quis passar ao povo a idéia da conciliação da nova Alemanha, que ele representava, com a velha Alemanha, que lá se fazia presente com os familiares do antigo imperador. Mas que não se enganassem com ele. Hitler não seria um general Monck disposto a restaurar a antiga coroa como o inglês fizera na Inglaterra em 1660, depois da morte de Cromwell. Embaixo da lã fina que trajava e da impecável gravata negra que usava, batia o coroação do plebeu ressentido, tirano e republicano.

O Porquê de Nuremberg


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Nuremberg e a região da Francônia

Nuremberg, no imaginário alemão, que Hitler dominava e entendia tão bem, era um complemento da sua ida a Potsdam e, ao mesmo tempo, aparecia como cenário antagônico. A velha cidade imperial (assim determinada a ser pelo imperador medieval Frederico II, em 1219) era um dos mais expressivos centros da cultura alemã. Nela, Hartmann Schedel editara a Crônica do Mundo, em 1493, uma notável obra impressa em papel lá mesmo fabricado com cuidados excelsos, que contara com a colaboração de Albert Dührer, o mestre da gravura, o mais famosos artista da Alemanha medieval e um bem sucedido industrial da imprensa (aliás foi a ilustração dele O cavaleiro solitário, que tornou-se ícone dos integrantes da SS). Foi no castelo imperial que assinaram os tratados complementares à Paz de Westfália, entre 1649-50, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos. Sendo que dos seus arredores, rumo à Fürth, é que partiram os trilhos da primeira estrada de ferro da Alemanha, em 1835. E, por último, foi Nuremberg quem Wagner homenageou com a sua ópera Die Meistersinger von Nürnberg, (Os mestres cantores de Nuremberg, 1867), o que para Hitler era o argumento final.

A Sede Simbólica do III Reich


gravura de Dührer

O cavaleiro solitário seguindo o seu destino

Se Berlim fora a capital do II Reich (1871-1918), Nuremberg, a antiga capital imperial medieval, serviria de cenário para a ocupação pacífica das SA e das SS, que Hitler estava programando. Promoveu-a com a sede simbólica do III Reich (*). Que a velha nobreza ficasse com Potsdam, cenáculo do militarismo prussiano, pois a insurreição parda que ele liderava se apropriaria de Nuremberg. Assim caminhava a sua revolução conservadora, mirando-se nos espelhos do passado para dar um passo adiante, restaurando as ameaçadoras águias imperiais germânicas para recuperar os territórios perdidos pela Alemanha em 1918. Como o pássaro profético de Nietzsche "dirige seus olhos para trás quando descreve o que pertence ao futuro."

(*) Os nazistas construíram lá uma série de obras gigantes para abrigar suas concentrações. Nuremberg pagou um preço elevado por isso. Em janeiro de 1945, no final da guerra, 600 aviões aliados a destruíram totalmente (só restou 9% das casas)

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