O Primeiro Magistrado
 A Casa Branca |
Os americanos preparam-se para mais um processo eleitoral a fim de escolher o 43º Presidente dos Estados Unidos da América. É um ritual democrático que já data de dois séculos fazendo com o que o país mais moderno do mundo encene o mais antigo e sólido método de escolha por sufrágio que se conhece até hoje.
A escolha inicial
O original sistema presidencialista, adotado pela Constituição norte-americana em 1787, levou algum tempo para funcionar democraticamente - quer dizer, para ter a integral participação popular. Para ser-se exato, somente em 1824, 37 anos depois da aprovação constitucional, é que realmente o povo foi chamado a decidir na eleição do Supremo Mandatário. Durante essa primeira fase, os presidentes eram escolhidos pelo Congresso até que, gradativamente, os colégios eleitorais entraram em ação. Entende-se que assim fosse naqueles tempos. Os Estados Unidos da América, saídos recentes da longa Guerra de Independência (1775-1783), com enormes dificuldades em organizar um sistema federativo que agregasse as 13 ex-colônias inglesas numa União Americana, e tendo ainda que enfrentar uma recaída com a Guerra de 1812 contra o Reino da Grã-Bretanha, cerceou os primeiros passos de uma democracia plena. Além disso, os novos dirigentes nacionais, uma mistura de grandes proprietários rurais, negociantes, advogados de financistas, e profissionais de classe média, não se entendiam. Alexander Hamilton, por exemplo, o líder dos conservadores, queria que a escolha do Primeiro Magistrado, como ele designou o presidente num dos seus artigos de "O Federalista", ficasse restrita a "um pequeno grupo de pessoas", a um eleitorado de elite, capaz de se esquivar da "cabala, intrigas e corrupção". Até os republicanos daquela época, que então eram os portadores dos ideais democráticos, tais como Jefferson e Madison, concordaram com as restrições iniciais ao alargamento do eleitorado para sufragar o presidente.
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