A Presidência: o trono do homem comum
 Salão Oval da Casa Branca |
Nunca pessoas de tão pouca expressão pessoal ou profissional chegaram a exercer mandatos tão elevados numa sociedade como a grande maioria dos 42 homens que chegaram à presidência dos Estados Unidos da América. A grande democracia anglo-saxã conseguiu o milagre de fazer do principal cargo do país o trono do homem comum.
A sagração tribal
É um espetáculo que já se estende por dois séculos, o que assiste-se há cada quatro anos nos Estados Unidos da América. Equivalente, talvez, em sua precisa rotina, ainda que com bem menos pompa, à anual Fala do Trono dos reis ingleses. É a eleição do seu presidente da República. Antes, porém, dos postulantes poderem alcançar-se a poder sentar no ambicionado troféu, que é a cadeira do Salão Oval da Casa Branca, eles se submetem a um curioso ritual.
Alguns antropólogos já comparam as eleições de lá com certos ritos sacrificiais aborígenes, onde também os pretensos sucessores à função de cacique obrigam-se a mergulhar em meio aos abraços, cusparadas e chacotas da tribo. Só assim podem consagrar-se a receber os altos espíritos. As modernas eleições democráticas seriam pois a sobrevivência de remotíssimos costumes nos quais os pretendentes eram simbolicamente "devorados" pelos seus confrades que, tocando neles, apalpando-os ou carregando-os nos ombros, legitimavam o finalmente escolhido. Um horror, enfim!
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