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Pedro, o Grande
e o Dilema da Rússia


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Pedro, o Grande, 1672-1725

Após ter ficado quase meio século à margem do Ocidente, a Rússia pós-comunista acelerou os seus contatos com quase todas as forças econômicas que hoje se ordenam ao redor dos "7-Grandes", os principais países que, juntos, perfazem quase 70% da moderna produção de bens e de tecnologia existentes no mundo. De certa forma é a retomada da política do czar Pedro, o Grande, que foi o primeiro russo de vulto, ainda no finais do século XVII, a entender que a solução para salvar o seu país-continente do isolamento e do imobilismo asiático era voltando-o para a Europa.

Um Czar Ocidentalista

"A mais profunda da nossa fisionomia histórica é a ausência de qualquer espontaneidade no nosso desenvolvimento social. Toda a feição importante na nossa história nos vem imposta de cima, cada nova idéia foi importada..."

Peter Tchaadayev, Carta filosófica, 1829


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O Rio Zaan, na Holanda

Ao brincar num velho veleiro abandonado no Lago Pleshcheevo, o czarevitch Pedro fascinou-se definitivamente pelas coisas do mar e pelo universo da mecânica. Não demorou a verificar que nascera no lugar errado, pois o seu império, ainda que imenso, quase não tinha praias, senão as árticas, e nenhuma vocação para a indústria. Inconformado, Pedro, então um jovem gigante de mais de dois metros de altura, que se tornou o soberano de todas as Rússias aos dez anos (1682), partiu para uma longa viagem ao Ocidente. Lá, impressionou-se com os intermináveis moinhos de vento e as intermináveis fileiras de mastros e guindastes com que se deparou nas margens do rio Zaan, na Holanda. Maravilhou-se outro tanto com as manufaturas e serralharias inglesas quando chegou ao Reino Unido. Abandonando o enorme preconceito que existia na Rússia com o trabalho manual, tarefa entregue aos servos e aos tártaros, arregaçou as mangas e ele mesmo procurou adestrar-se nas ferramentas.

As Reformas de Pedro


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Habituar o russo aos símbolos industriais

Ao retornar a Moscou em 1698, vinha com um propósito fixo: a Rússia teria que se ocidentalizar. Tornou-se insuportável para ele deparar-se diariamente com o que identificava como os sinais mais evidentes do atraso e rudeza do seu povo, aquela gente com pouca higiene, embotada, enfiada em camisolões e com aquelas barbas bíblicas que lhes chegavam à cintura. Criou até um imposto para estimular o seu corte, pelo menos entre os que não fossem camponeses ou padres. Mais ainda enfurecia-o a dvoryantsvo, a nobreza, aquela casta vadia, arruaceira e beberrona que ele tratou de disciplinar e pôr a serviço do Estado. A Rússia, rompendo com seu passado de imobilismo asiático, devia tornar-se um país europeu mesmo que fosse a esporaços e a golpes de knute (o relho do cossaco). Recorreu Pedro a métodos bárbaros para retirá-la da barbárie, parecendo a encarnação mais perfeita do que Arnold Toynbee chamou de homo mechanicus neobarbarus.


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Pedro, o jovem príncipe da Rússia

A nobreza, por ele domada, ele colocou atrás dos burôs ou a serviço nos quartéis, os sacerdotes no púlpito, o comerciante atrás do balcão, e o camponês, reduzido a servo, atrás do arado. Dos suecos, importou regras administrativas, dos ingleses as manufaturas, dos holandeses os estaleiros, e dos alemães a ciência, que, por sugestão do filósofo Leibniz, levaram-no a fundar a Academia Científica Russa. Para garantir a segurança daquele território colossal que herdara, transformado por ele em império em 1721, institucionalizou um exército regular e uma marinha de guerra, além de estabelecer uma moderna divisão administrativa para o país inteiro, depois de ter subjugado a Igreja Russo-Ortodoxa à sua vontade.

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